O
Museu do Café, em Santos, fará realizar
no próximo 1º de junho, mais um evento
de grande interesse para o comércio de café.
Trata-se da abertura da Exposição “A
Trajetória dos Primeiros Imigrantes Japoneses
no Brasil e o Café Brasileiro Hoje no Japão”,
marcando o início das comemorações
do centenário da imigração japonesa
no Brasil, que transcorrerão durante todo o
ano de 2008, em âmbito nacional. Como se sabe,
há um intenso programa de celebrações,
inclusive com a possível vinda da família
Imperial japonesa, a convite do Governo brasileiro.
Na verdade, a realização do Museu complementa
a homenagem que será prestada pelo comércio
exportador de café, dias antes, durante a realização
do 2º Fórum&Coffee Dinner. Com efeito,
a homenagem que se confere a uma personalidade do
exterior que tenha contribuído para o desenvolvimento
do Café do Brasil, desta vez, por decisão
do Conselho Deliberativo do CECAFÉ, será
outorgada ao conjunto da indústria japonesa
do café, aí incluídos o comércio
importador, a indústria de t&m e solúvel,
cafeterias, distribuidores e consumidores, na pessoa
do Presidente Keiji Ohta, da All Japan Coffee Association,
entidade que congrega os diversos setores.
A importância da imigração japonesa
para a cafeicultura brasileira, se traduz em múltiplos
aspectos. O primeiro deles, e certamente o mais visível,
diz respeito à vinda dos colonos para trabalhar
nas fazendas e à sua enorme contribuição
no alargamento da fronteira agrícola do país
e da ampliação das lavouras cafeeiras.
O avanço das plantações de café,
trazendo junto os cultivos intercalares de subsistência,
como o feijão, arroz, milho e outras, rumo
ao interior de São Paulo e no desbravamento
do norte do Paraná, verdadeira epopéia
que teve o apoio do braço do imigrante japonês,
proporcionou grande prosperidade a essas regiões,
que se transformaram nos anos seguintes nas principais
áreas produtoras de café e celeiros
de alimentos.
Além desta enorme contribuição
no campo da produção, nos anos pós
guerra, o Japão começou a se transformar
em um importante mercado consumidor de café,
garantindo espaços para a colocação
das safras. Em menos de 50 anos, o Japão transformou-se
no terceiro maior mercado consumidor entre os países
importadores de café, a seguir dos Estados
Unidos e Alemanha, e acima de Itália e França,
onde o hábito de consumo remonta há
séculos. O país consome, atualmente,
em torno de 7,3 milhões de sacas por ano, e
a enorme expansão do consumo tem muito a ver
com a competência da indústria do café
japonesa, que teve uma ação caracterizada
pela inovação e criatividade.
Com efeito, já na década de 1980, a
indústria japonesa desenvolveu produtos e formas
de apresentação do café ao consumidor
revolucionárias, sendo verdadeiramente a precursora
do que hoje se denomina “cafés especiais”.
Cafés de alta qualidade, oferecidos ao consumidor
em embalagens sofisticadas, preços próximos
de US$ 50 por quilo, locais de consumo requintados,
as cafeterias de hoje, constituíram ferramentas
que alavancaram o mercado, assim como os cafés
gelados em latas, servidos nas vending machines, ao
lado de refrigerantes, e os sachets contendo café
solúvel e açúcar, na mesma embalagem.
Releva observar que durante todo esse período
de construção e desenvolvimento do mercado
consumidor de café do Japão, o Brasil
exerceu tradicionalmente a liderança no suprimento,
seja no café verde ou no solúvel. Esta
posição, de um lado, ressalta a qualidade
e a competitividade do produto brasileiro em face
de um mercado onde a alta qualidade é requisito
indispensável, e, sobretudo, destaca a grande
afinidade do povo japonês com o café
brasileiro.
Deste modo, presente a importância das relações
Brasil/Japão no café, tanto no campo
da produção, no desenvolvimento de um
mercado consumidor extremamente importante, como da
liderança que o Brasil desfruta no suprimento,
a decisão do Conselho do CECAFÉ de homenagear
a indústria japonesa e a iniciativa do Museu
do Café de dar início às celebrações
do centenário da imigração destacando
os fatos e as negociações que antecederam
a chegada dos primeiros imigrantes no Kasato Maru,
em 18 de junho de 1908, são eventos marcantes
nas relações entre os dois países.
Guilherme
Braga Abreu Pires Filho
Presidente do CCCRJ e Diretor Geral do CECAFÉ |