Home
Porto do Rio Consolida Retomada das Exportações de Café
Multiterminais Amplia Estrutura Operacional
Março 2007 - Ano 86 - Nº 821

01
 

O Museu do Café, em Santos, fará realizar no próximo 1º de junho, mais um evento de grande interesse para o comércio de café. Trata-se da abertura da Exposição “A Trajetória dos Primeiros Imigrantes Japoneses no Brasil e o Café Brasileiro Hoje no Japão”, marcando o início das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, que transcorrerão durante todo o ano de 2008, em âmbito nacional. Como se sabe, há um intenso programa de celebrações, inclusive com a possível vinda da família Imperial japonesa, a convite do Governo brasileiro.

Na verdade, a realização do Museu complementa a homenagem que será prestada pelo comércio exportador de café, dias antes, durante a realização do 2º Fórum&Coffee Dinner. Com efeito, a homenagem que se confere a uma personalidade do exterior que tenha contribuído para o desenvolvimento do Café do Brasil, desta vez, por decisão do Conselho Deliberativo do CECAFÉ, será outorgada ao conjunto da indústria japonesa do café, aí incluídos o comércio importador, a indústria de t&m e solúvel, cafeterias, distribuidores e consumidores, na pessoa do Presidente Keiji Ohta, da All Japan Coffee Association, entidade que congrega os diversos setores.

A importância da imigração japonesa para a cafeicultura brasileira, se traduz em múltiplos aspectos. O primeiro deles, e certamente o mais visível, diz respeito à vinda dos colonos para trabalhar nas fazendas e à sua enorme contribuição no alargamento da fronteira agrícola do país e da ampliação das lavouras cafeeiras. O avanço das plantações de café, trazendo junto os cultivos intercalares de subsistência, como o feijão, arroz, milho e outras, rumo ao interior de São Paulo e no desbravamento do norte do Paraná, verdadeira epopéia que teve o apoio do braço do imigrante japonês, proporcionou grande prosperidade a essas regiões, que se transformaram nos anos seguintes nas principais áreas produtoras de café e celeiros de alimentos.

Além desta enorme contribuição no campo da produção, nos anos pós guerra, o Japão começou a se transformar em um importante mercado consumidor de café, garantindo espaços para a colocação das safras. Em menos de 50 anos, o Japão transformou-se no terceiro maior mercado consumidor entre os países importadores de café, a seguir dos Estados Unidos e Alemanha, e acima de Itália e França, onde o hábito de consumo remonta há séculos. O país consome, atualmente, em torno de 7,3 milhões de sacas por ano, e a enorme expansão do consumo tem muito a ver com a competência da indústria do café japonesa, que teve uma ação caracterizada pela inovação e criatividade.

Com efeito, já na década de 1980, a indústria japonesa desenvolveu produtos e formas de apresentação do café ao consumidor revolucionárias, sendo verdadeiramente a precursora do que hoje se denomina “cafés especiais”. Cafés de alta qualidade, oferecidos ao consumidor em embalagens sofisticadas, preços próximos de US$ 50 por quilo, locais de consumo requintados, as cafeterias de hoje, constituíram ferramentas que alavancaram o mercado, assim como os cafés gelados em latas, servidos nas vending machines, ao lado de refrigerantes, e os sachets contendo café solúvel e açúcar, na mesma embalagem.

Releva observar que durante todo esse período de construção e desenvolvimento do mercado consumidor de café do Japão, o Brasil exerceu tradicionalmente a liderança no suprimento, seja no café verde ou no solúvel. Esta posição, de um lado, ressalta a qualidade e a competitividade do produto brasileiro em face de um mercado onde a alta qualidade é requisito indispensável, e, sobretudo, destaca a grande afinidade do povo japonês com o café brasileiro.

Deste modo, presente a importância das relações Brasil/Japão no café, tanto no campo da produção, no desenvolvimento de um mercado consumidor extremamente importante, como da liderança que o Brasil desfruta no suprimento, a decisão do Conselho do CECAFÉ de homenagear a indústria japonesa e a iniciativa do Museu do Café de dar início às celebrações do centenário da imigração destacando os fatos e as negociações que antecederam a chegada dos primeiros imigrantes no Kasato Maru, em 18 de junho de 1908, são eventos marcantes nas relações entre os dois países.

Guilherme Braga Abreu Pires Filho
Presidente do CCCRJ e Diretor Geral do CECAFÉ

 
Rua da Quitanda, 191 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro - Brasil - Tel: (21) 2516-3399 / Fax: (21) 2253-4873 - email: riocafe@cccrj.com.br
Todos os direitos reservados - copyright 2006 - Centro de Comércio do Café do Rio de Janeiro - Desenvolvido por Ivan F. Cesar