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Março 2007 - Ano 86 - Nº 821

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O humor ajuda a vender café. Cartazes do tipo percorreram o mundo, de Paris a Hong Kong, ou de Milão a Nova York, dos finais da década de sessenta até os anos 70. Funções típicas do setor privado, o marketing e a propaganda, no caso, foram tocadas pelo dirigismo estatal, nas mãos do ex-IBC, responsável pela gestão de montanhas de café, enquanto a balança comercial brasileira repousava em grande medida, nas exportações do grão.

Coube ao artista Ziraldo desenhar os cartazes que levaram o café e o Brasil ao Lido de Paris, às agências da Varig no exterior e a milhares de escritórios de agentes que tratavam do tema em todo o mundo. Esses cartazes, como que renascidos, são objeto de exposições. O Museu do Café do Brasil, na Bolsa de Café de Santos, expõe toda a produção de Ziraldo, no total de 21 posters, em seu elegante espaço, no primeiro andar do palácio da Rua Quinze, até maio.

Na abertura, 29 de março, Eduardo Carvalhaes Filho, diretor do museu, mostrava-se feliz pela mostra. “Esta exposição, comemorativa dos 9 anos do museu, quer mostrar que a preocupação com a propaganda do café brasileiro vem de longe. Também queremos ajudar a compor a história do café, tão rica e essencial na economia paulista e brasileira”, frisa.

Ziraldo Alves Pinho, o Ziraldo, chargista, pintor, desenhista, escritor, dramaturgo e jornalista, rememora a produção e diz que “ficava feliz ao entrar no Lido, em Paris e ver o Brasil ali. Também me enchia de orgulho ver o nosso luminoso na Times Square”. E acrescenta: “É muito fácil negociar com quem a gente conhece ou com quem, pelo menos, já ouviu falar. Por que a Coca Cola gasta tanto dinheiro, mantendo o nome escrito por toda parte do mundo? Às vezes, nem a tem no lugar onde está o cartaz”, assinala.

A leveza dos traços de Ziraldo, com uma tendência para o humor, tem direção certa. Ele conta que “o humor é estimulante. Uma idéia luminosa, um achado, um clique, acendem o espírito do decodificador”. O passo conjunto procede de um estudo de comportamentos regionais e mundiais. A conquista, a confiança, o lazer e o prazer, desfilam na série cafeeira do mineiro de Caratinga. Na Torre de Babel ele parece desafiar a lenda, pois, embora as línguas sejam diferentes, todos anunciam que “É hora de café do Brasil”, ou “It’s time for Brazilian coffee”, ou ainda “Et maintenant un bon café du Brésil!”.

O museu em Santos, que já recebeu a visita de cerca de 300 mil pessoas, pela sua localização, no centro histórico da cidade, com a nova mostra, tem tudo para atrair mais pesquisadores e turistas.

 

 
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