O
humor ajuda a vender café. Cartazes do tipo
percorreram o mundo, de Paris a Hong Kong, ou de Milão
a Nova York, dos finais da década de sessenta
até os anos 70. Funções típicas
do setor privado, o marketing e a propaganda, no caso,
foram tocadas pelo dirigismo estatal, nas mãos
do ex-IBC, responsável pela gestão de
montanhas de café, enquanto a balança
comercial brasileira repousava em grande medida, nas
exportações do grão.
Coube ao artista Ziraldo desenhar os cartazes que
levaram o café e o Brasil ao Lido de Paris,
às agências da Varig no exterior e a
milhares de escritórios de agentes que tratavam
do tema em todo o mundo. Esses cartazes, como que
renascidos, são objeto de exposições.
O Museu do Café do Brasil, na Bolsa de Café
de Santos, expõe toda a produção
de Ziraldo, no total de 21 posters, em seu elegante
espaço, no primeiro andar do palácio
da Rua Quinze, até maio.
Na abertura, 29 de março, Eduardo Carvalhaes
Filho, diretor do museu, mostrava-se feliz pela mostra.
“Esta exposição, comemorativa
dos 9 anos do museu, quer mostrar que a preocupação
com a propaganda do café brasileiro vem de
longe. Também queremos ajudar a compor a história
do café, tão rica e essencial na economia
paulista e brasileira”, frisa.
Ziraldo Alves Pinho, o Ziraldo, chargista, pintor,
desenhista, escritor, dramaturgo e jornalista, rememora
a produção e diz que “ficava feliz
ao entrar no Lido, em Paris e ver o Brasil ali. Também
me enchia de orgulho ver o nosso luminoso na Times
Square”. E acrescenta: “É muito
fácil negociar com quem a gente conhece ou
com quem, pelo menos, já ouviu falar. Por que
a Coca Cola gasta tanto dinheiro, mantendo o nome
escrito por toda parte do mundo? Às vezes,
nem a tem no lugar onde está o cartaz”,
assinala.
A leveza dos traços de Ziraldo, com uma tendência
para o humor, tem direção certa. Ele
conta que “o humor é estimulante. Uma
idéia luminosa, um achado, um clique, acendem
o espírito do decodificador”. O passo
conjunto procede de um estudo de comportamentos regionais
e mundiais. A conquista, a confiança, o lazer
e o prazer, desfilam na série cafeeira do mineiro
de Caratinga. Na Torre de Babel ele parece desafiar
a lenda, pois, embora as línguas sejam diferentes,
todos anunciam que “É hora de café
do Brasil”, ou “It’s time for Brazilian
coffee”, ou ainda “Et maintenant un bon
café du Brésil!”.
O museu em Santos, que já recebeu a visita
de cerca de 300 mil pessoas, pela sua localização,
no centro histórico da cidade, com a nova mostra,
tem tudo para atrair mais pesquisadores e turistas.
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