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Março 2007 - Ano 86 - Nº 821

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Segundo a Eurostat, a agência estatística oficial da União Européia, as exportações italianas de café torrado geraram US$ 651,85 milhões em 2006, o que posiciona a Itália em primeiro lugar no ranking mundial, à frente da Alemanha. Na verdade, a Itália assumiu a dianteira na exportação de café torrado desde o final da década de 90. No quesito volume, a Alemanha ainda mantém a liderança, tendo exportado 2,35 milhões de sacas em 2006, contra 1,73 milhões de sacas da Itália. Mas enquanto o torrado alemão conquista o mundo com preços competitivos, numa média de US$ 222,41 a saca em 2006, o italiano vem ganhando mercado através da qualidade, o que permitiu que fosse vendido no ano passado a uma média de US$ 375,33 a saca.

As torrefadoras italianas beneficiam-se de um gigantesco mercado estável e livre de impostos, desde a criação do mercado comum europeu, que comemora este ano o seu cinquentenário. Segundo especialistas, é mais fácil para um país europeu exportar para outro no mesmo continente, do que um estado brasileiro exportar para outro, por causa da guerra tributária, pela qual se aplica ICMS diferenciado a produtos do estado vizinho, supostamente para beneficiar a indústria local.

Em 2006, exatamente 74,4% das exportações italianas de café torrado tiveram como destino os 27 países que compõem hoje a União Européia. Um mercado interno pujante - estável nos países mais ricos e crescente nas economias ainda em desenvolvimento, incorporadas recentemente à UE - constitui a base de sustentação que permitiu à exportação italiana de café torrado passar de 628.786 sacas em 1995 para 1,74 milhão de sacas em 2006, com valores saltando de US$ 217,75 milhões para US$ 651,85 milhões. Um crescimento de 90,7% no volume e 105% na receita!

Ancorada neste vigoroso mercado doméstico, as torrefadoras italianas vêm ampliando rapidamente suas
vendas para fora da Europa, que crescem, aliás, em ritmo bastante superior às vendas internas.

Nos últimos oito anos, enquanto os embarques italianos de café torrado para dentro da UE cresceram 79%, o incremento nas vendas para fora do continente foi quase o dobro, 135%. Com isso, a participação dos mercados externos à UE passou de 20,8% em 1999 para 25,6% em 2006.

Para dar um exemplo, as exportações italianas de café torrado para os Estados Unidos cresceram 93% em volume e 98% em valor nos últimos 8 anos, totalizando 79.484 sacas e US$ 31,09 milhões em 2006.

Balança comercial do café na Itália

A Itália também é um dos maiores importadores de café do mundo. Os números da Eurostat revelam que a Itália encerrou o ano passado com uma importação de café, incluindo todos os tipos, de US$ 965,31 milhões, o que correspondeu a um aumento de 17,8% sobre os US$ 819,24 milhões do ano anterior. Em volume, a importação italiana em 2006 totalizou 7,54 milhões de sacas de 60 kg, alta de 3,8% sobre as 7,26 milhões de sacas do ano anterior. Os cinco principais tipos de café importados e exportados pela Itália são: café verde, verde descafeinado, torrado, torrado descafeinado e solúvel.

O café verde foi o principal tipo importado pela Itália, somando 6,94 milhões de sacas em 2006, contra 6,66 milhões de sacas no ano anterior. Em segundo lugar, veio o torrado, com a importação de 285,370 sacas em 2006, contra 294,297 sacas em 2005. Em terceiro e quarto, vieram o café solúvel e o café verde descafeinado, com importações de 180,483 sacas e 122,782 sacas em 2006, respectivamente.

Da mesma forma, considerando todos os tipos de café, a Itália exportou 1,92 milhão de sacas em 2006, contra 1,69 milhão de sacas em 2005, com os valores passando de US$ 607,09 milhões para US$ 708,03 milhões.

Em 2006, o saldo da balança comercial do café na Itália foi negativo em US$ 257,28 milhões, alta de 21,3% sobre o ano anterior.

Uma característica da indústria italiana é uma grande quantidade e diversidade de companhias, a maioria pequenas e administradas familiarmente. É inevitável ainda constatar que a liberdade das torrefadoras italianas, e das européias de forma geral, de usarem diversas origens na composição de seus blends, consiste num importante fator de competitividade para as mesmas.

Conversa com a Illy
Por ser uma das principais torradoras italianas, escolhemos a Illy para ilustrarmos a matéria com um exemplo mais concreto. Giacomo Biviamo, diretor geral de mercado divisão EMEA (Europa, Oriente Médio e África) da Illycaffè, forneceu alguns dados e opiniões pertinentes. Segundo Biviamo, muitas grandes torrefadoras internacionais poderiam estar interessadas em fazer do Brasil a sua plataforma principal de exportação de café torrado.

A Illy, que divulga seus balanços anuais em maio, registrou um faturamento total de 227 milhões de euros em 2005, com alta de 11% sobre o ano anterior.

Giacomo Biviano

O lucro bruto foi de 37 milhões de euros, alta de 37% sobre 2004, e o lucro líquido chegou a 10,6 milhões de euros, alta de 33% sobre o ano anterior. As vendas externas representaram 52% da receita total da empresa.

Biviamo observou que os principais concorrentes da empresa estão na própria Itália. Na Europa, os principais concorrentes são as empresas que operam no segmento de café espresso. Perguntado sobre como a Itália tem obtido preços tão altos para seus cafés torrados vendidos ao exterior, o executivo explicou que a política de fornecimento da empresa é fundamentada em três pilares: trabalhar diretamente com produtores; transferir know-how para eles, treinando-os, para produzirem um café de melhor qualidade, respeitando o meio-ambiente; e pagar um preço que permita uma produção sustentável, assegurando que os produtores obtenham sempre lucro com sua atividade. Desde a década de 80, a Illy compra a matéria-prima diretamente da fonte, pagando preços mais altos que os níveis registrados no mercado de commodity.

Em relação aos mercados mais promissores para o consumo de café, Biviami opinou que são os países do leste europeu, Rússia, Oriente Médio e Índia. Ele observou ainda que os mercados tradicionais estão sendo revitalizados graças às novas redes de cafeterias e os serviços de café espresso.

 
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