Segundo
a Eurostat, a agência estatística oficial
da União Européia, as exportações
italianas de café torrado geraram US$ 651,85
milhões em 2006, o que posiciona a Itália
em primeiro lugar no ranking mundial, à frente
da Alemanha. Na verdade, a Itália assumiu a
dianteira na exportação de café
torrado desde o final da década de 90. No quesito
volume, a Alemanha ainda mantém a liderança,
tendo exportado 2,35 milhões de sacas em 2006,
contra 1,73 milhões de sacas da Itália.
Mas enquanto o torrado alemão conquista o mundo
com preços competitivos, numa média
de US$ 222,41 a saca em 2006, o italiano vem ganhando
mercado através da qualidade, o que permitiu
que fosse vendido no ano passado a uma média
de US$ 375,33 a saca.
As torrefadoras italianas beneficiam-se de um gigantesco
mercado estável e livre de impostos, desde
a criação do mercado comum europeu,
que comemora este ano o seu cinquentenário.
Segundo especialistas, é mais fácil
para um país europeu exportar para outro no
mesmo continente, do que um estado brasileiro exportar
para outro, por causa da guerra tributária,
pela qual se aplica ICMS diferenciado a produtos do
estado vizinho, supostamente para beneficiar a indústria
local.
Em
2006, exatamente 74,4% das exportações
italianas de café torrado tiveram como
destino os 27 países que compõem
hoje a União Européia. Um mercado
interno pujante - estável nos países
mais ricos e crescente nas economias ainda em
desenvolvimento, incorporadas recentemente à
UE - constitui a base de sustentação
que permitiu à exportação
italiana de café torrado passar de 628.786
sacas em 1995 para 1,74 milhão de sacas
em 2006, com valores saltando de US$ 217,75 milhões
para US$ 651,85 milhões. Um crescimento
de 90,7% no volume e 105% na receita!
Ancorada neste vigoroso mercado doméstico,
as torrefadoras italianas vêm ampliando
rapidamente suas |
|
|
vendas para fora da Europa, que crescem, aliás,
em ritmo bastante superior às vendas internas. |
Nos últimos oito anos, enquanto os embarques
italianos de café torrado para dentro da UE
cresceram 79%, o incremento nas vendas para fora do
continente foi quase o dobro, 135%. Com isso, a participação
dos mercados externos à UE passou de 20,8%
em 1999 para 25,6% em 2006.
Para dar um exemplo, as exportações
italianas de café torrado para os Estados Unidos
cresceram 93% em volume e 98% em valor nos últimos
8 anos, totalizando 79.484 sacas e US$ 31,09 milhões
em 2006.
Balança
comercial do café na Itália
A
Itália também é um dos maiores
importadores de café do mundo. Os números
da Eurostat revelam que a Itália encerrou o
ano passado com uma importação de café,
incluindo todos os tipos, de US$ 965,31 milhões,
o que correspondeu a um aumento de 17,8% sobre os
US$ 819,24 milhões do ano anterior. Em volume,
a importação italiana em 2006 totalizou
7,54 milhões de sacas de 60 kg, alta de 3,8%
sobre as 7,26 milhões de sacas do ano anterior.
Os cinco principais tipos de café importados
e exportados pela Itália são: café
verde, verde descafeinado, torrado, torrado descafeinado
e solúvel.
O café verde foi o principal tipo importado
pela Itália, somando 6,94 milhões de
sacas em 2006, contra 6,66 milhões de sacas
no ano anterior. Em segundo lugar, veio o torrado,
com a importação de 285,370 sacas em
2006, contra 294,297 sacas em 2005. Em terceiro e
quarto, vieram o café solúvel e o café
verde descafeinado, com importações
de 180,483 sacas e 122,782 sacas em 2006, respectivamente.

Da mesma forma, considerando todos os tipos de café,
a Itália exportou 1,92 milhão de sacas
em 2006, contra 1,69 milhão de sacas em 2005,
com os valores passando de US$ 607,09 milhões
para US$ 708,03 milhões.
Em 2006, o saldo da balança comercial do café
na Itália foi negativo em US$ 257,28 milhões,
alta de 21,3% sobre o ano anterior.
Uma característica da indústria italiana
é uma grande quantidade e diversidade de companhias,
a maioria pequenas e administradas familiarmente.
É inevitável ainda constatar que a liberdade
das torrefadoras italianas, e das européias
de forma geral, de usarem diversas origens na composição
de seus blends, consiste num importante fator de competitividade
para as mesmas.
|
Conversa
com a Illy |
Por
ser uma das principais torradoras italianas,
escolhemos a Illy para ilustrarmos a matéria
com um exemplo mais concreto. Giacomo Biviamo,
diretor geral de mercado divisão
EMEA (Europa, Oriente Médio e África)
da Illycaffè, forneceu alguns dados
e opiniões pertinentes. Segundo Biviamo,
muitas grandes torrefadoras internacionais
poderiam estar interessadas em fazer do
Brasil a sua plataforma principal de exportação
de café torrado.
A Illy, que divulga seus balanços
anuais em maio, registrou um faturamento
total de 227 milhões de euros em
2005, com alta de 11% sobre o ano anterior.
|
Giacomo
Biviano |
O lucro bruto foi de 37 milhões de euros,
alta de 37% sobre 2004, e o lucro líquido
chegou a 10,6 milhões de euros, alta
de 33% sobre o ano anterior. As vendas externas
representaram 52% da receita total da empresa.
Biviamo observou que os principais concorrentes
da empresa estão na própria Itália.
Na Europa, os principais concorrentes são
as empresas que operam no segmento de café
espresso. Perguntado sobre como a Itália
tem obtido preços tão altos para
seus cafés torrados vendidos ao exterior,
o executivo explicou que a política de
fornecimento da empresa é fundamentada
em três pilares: trabalhar diretamente
com produtores; transferir know-how para eles,
treinando-os, para produzirem um café
de melhor qualidade, respeitando o meio-ambiente;
e pagar um preço que permita uma produção
sustentável, assegurando que os produtores
obtenham sempre lucro com sua atividade. Desde
a década de 80, a Illy compra a matéria-prima
diretamente da fonte, pagando preços
mais altos que os níveis registrados
no mercado de commodity.
Em relação aos mercados mais promissores
para o consumo de café, Biviami opinou
que são os países do leste europeu,
Rússia, Oriente Médio e Índia.
Ele observou ainda que os mercados tradicionais
estão sendo revitalizados graças
às novas redes de cafeterias e os serviços
de café espresso.
|
|