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Março 2007 - Ano 86 - Nº 821

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Desde 1975, a fazenda Santa Mônica transformou-se no Campo Experimental Santa Mônica. Em parceria com o Ministério da Agricultura, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) instalou na propriedade o seu Centro Nacional de Pesquisa Agropecuária de Gado Leiteiro (CNPGL). Mas antes disso, grandes fatos históricos ali se desenrolaram. Seus ilustres proprietários, antes de perderem a fazenda para os credores e estes passarem-na para o governo federal, em 1912, ali viveram dias de fausto.

Em 7 de maio de 1880, faleceu duque de Caxias, pai de dona Luiza Loreto Vianna de Lima e Silva, casada com o barão de Santa Mônica, Francisco Nicolau Carneiro Nogueira da Gama.
Os irmãos barão de Santa Mônica e Manoel Jacintho, barão de Juparanã, administraram a fazenda desde a morte, em 1869, de sua mãe, a marquesa de Baependi, dona Francisca Mônica Carneiro da Costa e Gama.

Ao falecer o barão de Santa Mônica, em 1885, a fazenda já se encontrava em franca decadência, hipotecada, em 1884, com seus 160 cativos. Durante a administração da fazenda pelos irmãos, lá ficou residindo o barão de Juparanã. Solteiro, faleceu em 1876, quando as propriedades deixadas por sua mãe ainda se encontravam em prosperidade, com cerca de 256 escravos e 29 ingênuos, com quinhentos mil pés de café, 3.600 arrobas de café em côco e cerca de 340 alqueires geométricos de terras. Foram estes alguns dos bens descritos no espólio do referido barão.

Certamente foi a poderosa marquesa que influenciou o governo imperial na construção da ponte sobre o rio Paraíba, para a passagem da estrada de ferro Dom Pedro II, e a construção da estação Desengano, que tanto desagradou aos Teixeira Leite de Vassouras, tanto que Dom Pedro II, quando de passagem por Barra do Piraí, em 1862, para inspeção das obras de construção da referida estrada, escreveu em seu diário: “Ottoni chamou a atenção de Sinimbu sobre a questão da estação na ponte do Desengano a que se opõem os Teixeiras Leites [sic] dizendo que naquele local só aproveitará à marquesa de Baependi”. Na guerra das influências, vencera a senhora marquesa. Em 1866, uma grandiosa festa teve lugar na fazenda Santa Mônica por ocasião da inauguração da ponte e da estação, com a comitiva de suas majestades imperiais, a senhora princesa Isabel, o conde d’Eu, barão e baronesa de Lages, o conselheiro Christiano Ottoni, o barão do Rio Preto e tantas outras personalidades, saudando com muitos vivas o imperador.

Detalhe da escada

O Almanaque Laemmert daquele ano descreve a festa: “No portão da fazenda Santa Mônica, outro arco de folhagem entre linhas de bandeiras hasteadas, sustentava de um lado o escudo de armas imperiais e do outro lado o escudo das armas dos baependis.

Esta decoração simples, mas de bom gosto, incumbida ao senhor José Maria Villaronga, produzia muito agradável efeito”. E ainda referindo-se à construção da estação: “Este edifício contratado por vinte contos de réis pelo senhor coronel Manoel Jacintho Carneiro Nogueira da Gama, e que só isso custou aos cofres públicos, foi avaliado pelos engenheiros da estrada de ferro em cinqüenta contos de réis, sendo a diferença generosamente suprida pela senhora marquesa de Baependi”. Depois da visita à estação de ferro e à casa sede da fazenda, “dirigiram-se suas majestades e altezas para o palacete contíguo, da senhora marquesa de Baependi, sendo recebidos na entrada por sua excelência, pelas senhora marquesa de Caxias e sua filha dona Luiza do Loreto de Lima Nogueira da Gama, condessa de Baependi, dona Carlota de Mello Mattos, famílias dos senhores conselheiro Machado Nunes e doutor Tudiaux Cochrane, além de todos os membros da família da senhora marquesa”.

Dona Francisca Mônica era filha de um dos mais ricos comerciantes da praça do Rio de Janeiro, o senhor Braz Carneiro Leão, e ao se casar, em 1809, com Manoel Jacintho Nogueira da Gama, introduziu-o na aristocracia fluminense, e viveram juntos até 1847, quando faleceu Manoel.
A fazenda Santa Mônica era composta de quase três sesmarias de terras concedidas em 1792 e 1814, mas a construção da casa sede só foi concluída por volta dos anos 1820. Com uma área de mais de três mil metros quadrados, esta imensa residência, que ainda chama a atenção pela variedade de seus pisos hidráulicos, ao rés do chão e edificada ao lado do rio Paraíba, permitia a senhora marquesa avistar de suas janelas a ponte sobre o rio, uma belíssima obra de engenharia.

Nos tempos áureos da produção de café, mais de setencentos escravos labutavam em suas lavouras. Foram-se os escravos, morreram os pés de café e seus ilustres fundadores, mas a riqueza desse solar ainda resiste a todas as perdas e tenazmente nos ensina que somente o homem é fugaz, mas suas realizações podem ficar para a eternidade.


Lateral da entrada principal

Detalhe do guarda-corpo
 
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