Desde
1975, a fazenda Santa Mônica transformou-se
no Campo Experimental Santa Mônica. Em parceria
com o Ministério da Agricultura, a Embrapa
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
instalou na propriedade o seu Centro Nacional de Pesquisa
Agropecuária de Gado Leiteiro (CNPGL). Mas
antes disso, grandes fatos históricos ali se
desenrolaram. Seus ilustres proprietários,
antes de perderem a fazenda para os credores e estes
passarem-na para o governo federal, em 1912, ali viveram
dias de fausto.
Em 7 de maio de 1880, faleceu duque de Caxias, pai
de dona Luiza Loreto Vianna de Lima e Silva, casada
com o barão de Santa Mônica, Francisco
Nicolau Carneiro Nogueira da Gama.
Os irmãos barão de Santa Mônica
e Manoel Jacintho, barão de Juparanã,
administraram a fazenda desde a morte, em 1869, de
sua mãe, a marquesa de Baependi, dona Francisca
Mônica Carneiro da Costa e Gama.
Ao falecer o barão de Santa Mônica, em
1885, a fazenda já se encontrava em franca
decadência, hipotecada, em 1884, com seus 160
cativos. Durante a administração da
fazenda pelos irmãos, lá ficou residindo
o barão de Juparanã. Solteiro, faleceu
em 1876, quando as propriedades deixadas por sua mãe
ainda se encontravam em prosperidade, com cerca de
256 escravos e 29 ingênuos, com quinhentos mil
pés de café, 3.600 arrobas de café
em côco e cerca de 340 alqueires geométricos
de terras. Foram estes alguns dos bens descritos no
espólio do referido barão.
| Certamente
foi a poderosa marquesa que influenciou o governo
imperial na construção da ponte
sobre o rio Paraíba, para a passagem da
estrada de ferro Dom Pedro II, e a construção
da estação Desengano, que tanto
desagradou aos Teixeira Leite de Vassouras, tanto
que Dom Pedro II, quando de passagem por Barra
do Piraí, em 1862, para inspeção
das obras de construção da referida
estrada, escreveu em seu diário: “Ottoni
chamou a atenção de Sinimbu sobre
a questão da estação na ponte
do Desengano a que se opõem os Teixeiras
Leites [sic] dizendo que naquele local só
aproveitará à marquesa de Baependi”.
Na guerra das influências, vencera a senhora
marquesa. Em 1866, uma grandiosa festa teve lugar
na fazenda Santa Mônica por ocasião
da inauguração da ponte e da estação,
com a comitiva de suas majestades imperiais, a
senhora princesa Isabel, o conde d’Eu, barão
e baronesa de Lages, o conselheiro Christiano
Ottoni, o barão do Rio Preto e tantas outras
personalidades, saudando com muitos vivas o imperador. |
Detalhe
da escada |
O Almanaque Laemmert daquele ano descreve a festa:
“No portão da fazenda Santa Mônica,
outro arco de folhagem entre linhas de bandeiras hasteadas,
sustentava de um lado o escudo de armas imperiais
e do outro lado o escudo das armas dos baependis.
Esta decoração simples, mas de bom gosto,
incumbida ao senhor José Maria Villaronga,
produzia muito agradável efeito”. E ainda
referindo-se à construção da
estação: “Este edifício
contratado por vinte contos de réis pelo senhor
coronel Manoel Jacintho Carneiro Nogueira da Gama,
e que só isso custou aos cofres públicos,
foi avaliado pelos engenheiros da estrada de ferro
em cinqüenta contos de réis, sendo a diferença
generosamente suprida pela senhora marquesa de Baependi”.
Depois da visita à estação de
ferro e à casa sede da fazenda, “dirigiram-se
suas majestades e altezas para o palacete contíguo,
da senhora marquesa de Baependi, sendo recebidos na
entrada por sua excelência, pelas senhora marquesa
de Caxias e sua filha dona Luiza do Loreto de Lima
Nogueira da Gama, condessa de Baependi, dona Carlota
de Mello Mattos, famílias dos senhores conselheiro
Machado Nunes e doutor Tudiaux Cochrane, além
de todos os membros da família da senhora marquesa”.
Dona Francisca Mônica era filha de um dos mais
ricos comerciantes da praça do Rio de Janeiro,
o senhor Braz Carneiro Leão, e ao se casar,
em 1809, com Manoel Jacintho Nogueira da Gama, introduziu-o
na aristocracia fluminense, e viveram juntos até
1847, quando faleceu Manoel.
A fazenda Santa Mônica era composta de quase
três sesmarias de terras concedidas em 1792
e 1814, mas a construção da casa sede
só foi concluída por volta dos anos
1820. Com uma área de mais de três mil
metros quadrados, esta imensa residência, que
ainda chama a atenção pela variedade
de seus pisos hidráulicos, ao rés do
chão e edificada ao lado do rio Paraíba,
permitia a senhora marquesa avistar de suas janelas
a ponte sobre o rio, uma belíssima obra de
engenharia.
Nos tempos áureos da produção
de café, mais de setencentos escravos labutavam
em suas lavouras. Foram-se os escravos, morreram os
pés de café e seus ilustres fundadores,
mas a riqueza desse solar ainda resiste a todas as
perdas e tenazmente nos ensina que somente o homem
é fugaz, mas suas realizações
podem ficar para a eternidade.
Lateral
da entrada principal |
Detalhe
do guarda-corpo |
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