Visão
empreendedora e paixão pelo trabalho fizeram
com que a empresa criada pelo capixaba “Seu”
Custódio se destacasse no mercado de exportação
de café, estando atualmente entre as maiores
do Espírito Santo.
Aos 85 anos,
Custódio Forzza faz uma pausa na entrevista
que concedeu à Revista do Cecafé, no
seu escritório, no município de Colatina,
norte do Espírito Santo, para ir até
o computador conferir na Internet as oscilações
do dia no preço do café. E ainda comenta:
“Com a Internet, ficou muito mais fácil
vender”.
Vinda de um homem que há 60 anos fundou uma
das 10 maiores empresas exportadoras de café
do País, a Custódio Forzza Comércio
e Exportação, a frase ganha ainda mais
sentido. “Seu” Custódio, como é
conhecido, começou a comprar e a vender quando
havia muito mais obstáculos do que facilitadores
para a atividade comercial.
| Morando
num distrito do município de Colatina,
ele percorria as propriedades comprando café,
feijão e arroz para revender. Também
comercializava a raiz de uma planta chamada poalha,
que tinha propriedades anestésicas e era
facilmente encontrada nas matas da região.
Na época, as estradas não eram pavimentadas
e percorrer curtas distâncias, como os 120
quilômetros que ligam Colatina à
capital Vitória, poderia exigir até
um dia de viagem, no período de chuvas. |
Bruno
Sarcinelli, Jean Bezener e
casal Custódio Forzza |
Mas nada que servisse para intimidar o jovem Custódio,
o quarto filho de uma família de sete irmãos.
Vestido num terno branco, que é apontado como
a sua marca registrada na juventude, ele viajava pelo
Espírito Santo e se aventurava no Rio de Janeiro
e em São Paulo, onde estabelecia relações
comerciais.
“Eu ficava atento ao movimento da Bolsa. Comprava
quando estava em baixa e vendia quando subia. Sempre
gostei disso. Mas era tudo mais difícil. Quando
ia ao Rio de Janeiro, não existia a Ponte Rio-Niterói.
O caminhão carregado de café atravessava
de balsa. Aproveitava a viagem e parava em Macaé
para comprar peixe e vender madeira”, lembra,
ressaltando que a atividade de comercialização
de madeira foi uma das mais lucrativas que já
desenvolveu.
Difícil pensar que alguma atividade comercial
desenvolvida por este homem não seria bem-sucedida.
Bastam cinco minutos de conversa para perceber o tino
comercial de “Seu” Custódio, um
tipo de pessoa que ajuda a manter a crença
de que alguns talentos e dons nascem com o indivíduo.
Mas que também demonstra, com sua própria
história de vida, que o talento, puro e simplesmente,
nem sempre leva ao sucesso. No caso dele, a habilidade
sempre esteve acompanhada por muito trabalho e esforço.
A dedicação aos negócios moveu
não apenas Custódio como toda a sua
família, diretamente envolvida nas empresas
até os dias de hoje. “No início,
Colatina não tinha um hotel ou restaurante.
Os compradores de outros estados vinham para cá
e ficavam hospedados em nossa casa, comiam na mesa
com a gente”, conta Edith Favarato Forzza, casada
com Custódio há 56 anos.
“A menina mais bonita de Acioli” –
distrito de Colatina –, como Custódio
faz questão de ressaltar ao falar sobre Dona
Edith, teve cinco filhas e é conselheira do
Grupo, que começou quando ele montou uma empresa
em sociedade com os irmãos. Era 1947 e a Irmãos
Forzza focou sua atuação na comercialização
de café e na prestação de serviços
com uma máquina de pilar arroz.
Em 1960, a sociedade é desfeita e Custódio
compra a parte dos irmãos para criar a “Custódio
Forzza Comércio e Exportação”.
Trajetória
de sucesso
A evolução do Grupo Empresarial Custódio
Forzza confunde-se, invariavelmente, com a atuação
de Custódio. Na época da criação
da empresa, o café representava a maior fonte
de riqueza da economia capixaba, estímulo para
o empresário investir no desenvolvimento de
seu negócio.
Governador
Paulo Hartung
e casal Custódio Forzza |
A
competência e a visão empreendedora
do jovem empresário permitiram que ele
diversificasse as atividades. Ainda na década
de 60, a empresa começou a atuar na pecuária
de leite e corte, em uma propriedade às
margens do Rio Doce, em Linhares, no Espírito
Santo, local em que também foi iniciada
a cultura de cacau. O ano de 1969 foi marcante
para o Grupo, que realizou a primeira exportação
de cacau em amêndoa. Nessa mesma época,
“Seu” Custódio atuou como um
dos sócios-fundadores da Unicafé,
juntamente com o Coser Café, Tápias
Café e Exportadora Brasileira, participando
da sociedade por 30 anos. |
Em
1974, Custódio tornou-se acionista da Rio Doce
Café S/A, em parceria com um grupo de empresas
de Colatina. Em pouco tempo, a Rio Doce tornou-se
uma das maiores empresas do País.
Os anos 90 marcaram a consolidação do
Grupo. Além de ocupar lugar de destaque no
ranking das maiores empresas exportadoras do Estado,
a Custódio Forzza começou a ampliar
sua atuação, abrindo uma filial em Manhuaçu,
Minas Gerais. Entre 2000 e 2002, duas novas filiais
foram abertas – em Elois Mendes (Minas Gerais)
e Leme (São Paulo).
A busca permanente pela competitividade motivou o
Grupo a ampliar suas atividades. Antes mesmo de abrir
as duas filiais, a Custódio Forrza começou
a atuar no beneficiamento e rebeneficiamento de café,
aumentando suas perspectivas na disputa pelo mercado.
Foi também neste período que o Grupo
criou a Forzza Fomento Mercantil, com foco na compra
e venda de direitos creditórios.
De 2000 a 2007, a Custódio Forzza Comércio
e Exportação manteve-se como uma das
20 maiores exportadoras de café do País,
comercializando com mais de 30 países e com
volume exportado e vendido no mercado interno superior
a 1,5 milhão de sacas por ano. A empresa tem
matriz em Colatina e mais sete unidades regionais
distribuídas estrategicamente pelos nichos
de produção e comércio de café
no território brasileiro.
Até os dias de hoje, com seus 85 anos, Custódio
acompanha de perto os negócios da empresa.
Entre oscilações do preço do
café e os novos investimentos, ele mantém
a dedicação ao trabalho e o mesmo brilho
nos olhos de quando começou a trabalhar com
café.
Programa
de Inclusão Digital marca comemorações
Mais de 300 crianças de Colatina ganharam um
presente no dia em que a Custódio Forzza Comércio
e Exportação comemorou seus 60 anos.
Em parceria com o Cecafé, a Folgers Café
e a Prefeitura Municipal de Colatina, a empresa inaugurou
o primeiro laboratório de informática
dentro do Programa de Inclusão Digital –
“Criança do Café na Escola”.
O projeto de inclusão digital foi montado na
Pré-Escola Carlos Roberto Menegatti, em São
Silvano, Colatina, e a sala recebeu o nome de Custódio
Forzza, em homenagem ao fundador e responsável
pela trajetória de sucesso da empresa. O laboratório
conta com 10 equipamentos, além de impressora,
televisão e dvd, tudo interligado à
Internet.
| A
inauguração do laboratório
de informática deu início a uma
série de atividades em comemoração
aos 60 anos da empresa, entre elas uma Missa em
Ação de Graças e um coquetel
para empregados, parceiros e autoridades. Crianças
beneficiadas pelo projeto deram um toque especial
à festa, cantando e apresentando uma peça
de teatro em homenagem aos 60 anos do Grupo. |
Custódio
Forzza assina termo de doação
dos computadores |
Participaram da solenidade o Governador do Espírito
Santo, Paulo Hartung; o Prefeito de Colatina, Guerino
Balestrassi; o senador Gerson Camata; os deputados
estaduais Paulo Foletto e Da Vitória; o presidente
do Centro do Comércio de Café do Espírito
Santo, Marcelo Netto; e o diretor geral do Cecafé,
Guilherme Braga, entre outras autoridades e empresários
do setor.
O Governador Paulo Hartung elogiou a iniciativa e
destacou o papel do empresário no desenvolvimento
do Norte do Estado. “Vim especialmente para
trazer luz a bons exemplos como este, feito pelo senhor
Custódio Forzza”, afirmou Hartung.
Além do Projeto de Inclusão Digital,
a Custódio Forzza apóia outros programas
sociais, como o Instituto Preservarte, de João
Neiva, que tem foco na fabricação de
violinos e em uma escola de músicos para jovens
carentes, e o Coral da Igreja Católica de Colatina.
| Paixão
pelo cinema e pelo rádio |
É sagrado. Todos os dias,
às 6 e às 18 horas, “Seu”
Custódio Forzza sintoniza a freqüência
do rádio amador que mantém em sua
casa, em Colatina, e se comunica com os funcionários
de suas fazendas no Espírito Santo e na
Bahia. Pelo rádio, fica sabendo se o gado
engordou e se o serviço vem sendo feito
conforme suas orientações.
Sempre que pode, ele viaja até as fazendas
para supervisionar tudo pessoalmente, mas não
dispensa o recurso que lhe garante informações
diárias sobre o trabalho.
E o rádio não é o único
meio de comunicação que merece carinho
especial de “Seu” Custódio.
Ele também é fã de cinema
e a paixão surgiu quando era bem jovem,
antes mesmo de criar o Grupo Forzza, por uma razão
especial: um de seus primeiros empregos foi num
cinema de Colatina, onde ele se encarregava de
rodar a manivela que garantia a exibição
dos filmes ou de vender ingressos na bilheteria.
Nessa época, ele viu e garantiu que muita
gente assistisse a clássicos como “E
o vento levou” e “Casablanca”,
que considera os melhores filmes de todos os tempos.
“Lembro que tínhamos que rodar o
filme na mão. Se a gente parasse um pouquinho
para descansar, o público gritava reclamando”,
conta.
Outra lembrança da época, dessa
vez triste, foi o incêndio que atingiu o
cinema durante uma sessão. No dia, “Seu”
Custódio estava na bilheteria e saiu ileso.
O colega de trabalho que rodava o filme, no entanto,
não teve a mesma sorte e morreu. |
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