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Setembro 2007 - Ano 86 - Nº 823

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Visão empreendedora e paixão pelo trabalho fizeram com que a empresa criada pelo capixaba “Seu” Custódio se destacasse no mercado de exportação de café, estando atualmente entre as maiores do Espírito Santo.

Aos 85 anos, Custódio Forzza faz uma pausa na entrevista que concedeu à Revista do Cecafé, no seu escritório, no município de Colatina, norte do Espírito Santo, para ir até o computador conferir na Internet as oscilações do dia no preço do café. E ainda comenta: “Com a Internet, ficou muito mais fácil vender”.

Vinda de um homem que há 60 anos fundou uma das 10 maiores empresas exportadoras de café do País, a Custódio Forzza Comércio e Exportação, a frase ganha ainda mais sentido. “Seu” Custódio, como é conhecido, começou a comprar e a vender quando havia muito mais obstáculos do que facilitadores para a atividade comercial.

Morando num distrito do município de Colatina, ele percorria as propriedades comprando café, feijão e arroz para revender. Também comercializava a raiz de uma planta chamada poalha, que tinha propriedades anestésicas e era facilmente encontrada nas matas da região. Na época, as estradas não eram pavimentadas e percorrer curtas distâncias, como os 120 quilômetros que ligam Colatina à capital Vitória, poderia exigir até um dia de viagem, no período de chuvas.

Bruno Sarcinelli, Jean Bezener e
casal Custódio Forzza

Mas nada que servisse para intimidar o jovem Custódio, o quarto filho de uma família de sete irmãos. Vestido num terno branco, que é apontado como a sua marca registrada na juventude, ele viajava pelo Espírito Santo e se aventurava no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde estabelecia relações comerciais.

“Eu ficava atento ao movimento da Bolsa. Comprava quando estava em baixa e vendia quando subia. Sempre gostei disso. Mas era tudo mais difícil. Quando ia ao Rio de Janeiro, não existia a Ponte Rio-Niterói. O caminhão carregado de café atravessava de balsa. Aproveitava a viagem e parava em Macaé para comprar peixe e vender madeira”, lembra, ressaltando que a atividade de comercialização de madeira foi uma das mais lucrativas que já desenvolveu.

Difícil pensar que alguma atividade comercial desenvolvida por este homem não seria bem-sucedida. Bastam cinco minutos de conversa para perceber o tino comercial de “Seu” Custódio, um tipo de pessoa que ajuda a manter a crença de que alguns talentos e dons nascem com o indivíduo. Mas que também demonstra, com sua própria história de vida, que o talento, puro e simplesmente, nem sempre leva ao sucesso. No caso dele, a habilidade sempre esteve acompanhada por muito trabalho e esforço.

A dedicação aos negócios moveu não apenas Custódio como toda a sua família, diretamente envolvida nas empresas até os dias de hoje. “No início, Colatina não tinha um hotel ou restaurante. Os compradores de outros estados vinham para cá e ficavam hospedados em nossa casa, comiam na mesa com a gente”, conta Edith Favarato Forzza, casada com Custódio há 56 anos.

“A menina mais bonita de Acioli” – distrito de Colatina –, como Custódio faz questão de ressaltar ao falar sobre Dona Edith, teve cinco filhas e é conselheira do Grupo, que começou quando ele montou uma empresa em sociedade com os irmãos. Era 1947 e a Irmãos Forzza focou sua atuação na comercialização de café e na prestação de serviços com uma máquina de pilar arroz.

Em 1960, a sociedade é desfeita e Custódio compra a parte dos irmãos para criar a “Custódio Forzza Comércio e Exportação”.

Trajetória de sucesso

A evolução do Grupo Empresarial Custódio Forzza confunde-se, invariavelmente, com a atuação de Custódio. Na época da criação da empresa, o café representava a maior fonte de riqueza da economia capixaba, estímulo para o empresário investir no desenvolvimento de seu negócio.


Governador Paulo Hartung
e casal Custódio Forzza
A competência e a visão empreendedora do jovem empresário permitiram que ele diversificasse as atividades. Ainda na década de 60, a empresa começou a atuar na pecuária de leite e corte, em uma propriedade às margens do Rio Doce, em Linhares, no Espírito Santo, local em que também foi iniciada a cultura de cacau. O ano de 1969 foi marcante para o Grupo, que realizou a primeira exportação de cacau em amêndoa. Nessa mesma época, “Seu” Custódio atuou como um dos sócios-fundadores da Unicafé, juntamente com o Coser Café, Tápias Café e Exportadora Brasileira, participando da sociedade por 30 anos.

Em 1974, Custódio tornou-se acionista da Rio Doce Café S/A, em parceria com um grupo de empresas de Colatina. Em pouco tempo, a Rio Doce tornou-se uma das maiores empresas do País.

Os anos 90 marcaram a consolidação do Grupo. Além de ocupar lugar de destaque no ranking das maiores empresas exportadoras do Estado, a Custódio Forzza começou a ampliar sua atuação, abrindo uma filial em Manhuaçu, Minas Gerais. Entre 2000 e 2002, duas novas filiais foram abertas – em Elois Mendes (Minas Gerais) e Leme (São Paulo).

A busca permanente pela competitividade motivou o Grupo a ampliar suas atividades. Antes mesmo de abrir as duas filiais, a Custódio Forrza começou a atuar no beneficiamento e rebeneficiamento de café, aumentando suas perspectivas na disputa pelo mercado. Foi também neste período que o Grupo criou a Forzza Fomento Mercantil, com foco na compra e venda de direitos creditórios.

De 2000 a 2007, a Custódio Forzza Comércio e Exportação manteve-se como uma das 20 maiores exportadoras de café do País, comercializando com mais de 30 países e com volume exportado e vendido no mercado interno superior a 1,5 milhão de sacas por ano. A empresa tem matriz em Colatina e mais sete unidades regionais distribuídas estrategicamente pelos nichos de produção e comércio de café no território brasileiro.

Até os dias de hoje, com seus 85 anos, Custódio acompanha de perto os negócios da empresa. Entre oscilações do preço do café e os novos investimentos, ele mantém a dedicação ao trabalho e o mesmo brilho nos olhos de quando começou a trabalhar com café.

Programa de Inclusão Digital marca comemorações

Mais de 300 crianças de Colatina ganharam um presente no dia em que a Custódio Forzza Comércio e Exportação comemorou seus 60 anos. Em parceria com o Cecafé, a Folgers Café e a Prefeitura Municipal de Colatina, a empresa inaugurou o primeiro laboratório de informática dentro do Programa de Inclusão Digital – “Criança do Café na Escola”. O projeto de inclusão digital foi montado na Pré-Escola Carlos Roberto Menegatti, em São Silvano, Colatina, e a sala recebeu o nome de Custódio Forzza, em homenagem ao fundador e responsável pela trajetória de sucesso da empresa. O laboratório conta com 10 equipamentos, além de impressora, televisão e dvd, tudo interligado à Internet.

A inauguração do laboratório de informática deu início a uma série de atividades em comemoração aos 60 anos da empresa, entre elas uma Missa em Ação de Graças e um coquetel para empregados, parceiros e autoridades. Crianças beneficiadas pelo projeto deram um toque especial à festa, cantando e apresentando uma peça de teatro em homenagem aos 60 anos do Grupo.

Custódio Forzza assina termo de doação dos computadores

Participaram da solenidade o Governador do Espírito Santo, Paulo Hartung; o Prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi; o senador Gerson Camata; os deputados estaduais Paulo Foletto e Da Vitória; o presidente do Centro do Comércio de Café do Espírito Santo, Marcelo Netto; e o diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga, entre outras autoridades e empresários do setor.

O Governador Paulo Hartung elogiou a iniciativa e destacou o papel do empresário no desenvolvimento do Norte do Estado. “Vim especialmente para trazer luz a bons exemplos como este, feito pelo senhor Custódio Forzza”, afirmou Hartung.

Além do Projeto de Inclusão Digital, a Custódio Forzza apóia outros programas sociais, como o Instituto Preservarte, de João Neiva, que tem foco na fabricação de violinos e em uma escola de músicos para jovens carentes, e o Coral da Igreja Católica de Colatina.

Paixão pelo cinema e pelo rádio
É sagrado. Todos os dias, às 6 e às 18 horas, “Seu” Custódio Forzza sintoniza a freqüência do rádio amador que mantém em sua casa, em Colatina, e se comunica com os funcionários de suas fazendas no Espírito Santo e na Bahia. Pelo rádio, fica sabendo se o gado engordou e se o serviço vem sendo feito conforme suas orientações.
Sempre que pode, ele viaja até as fazendas para supervisionar tudo pessoalmente, mas não dispensa o recurso que lhe garante informações diárias sobre o trabalho.
E o rádio não é o único meio de comunicação que merece carinho especial de “Seu” Custódio. Ele também é fã de cinema e a paixão surgiu quando era bem jovem, antes mesmo de criar o Grupo Forzza, por uma razão especial: um de seus primeiros empregos foi num cinema de Colatina, onde ele se encarregava de rodar a manivela que garantia a exibição dos filmes ou de vender ingressos na bilheteria.
Nessa época, ele viu e garantiu que muita gente assistisse a clássicos como “E o vento levou” e “Casablanca”, que considera os melhores filmes de todos os tempos. “Lembro que tínhamos que rodar o filme na mão. Se a gente parasse um pouquinho para descansar, o público gritava reclamando”, conta.
Outra lembrança da época, dessa vez triste, foi o incêndio que atingiu o cinema durante uma sessão. No dia, “Seu” Custódio estava na bilheteria e saiu ileso. O colega de trabalho que rodava o filme, no entanto, não teve a mesma sorte e morreu.

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