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Porto do Rio Consolida Retomada das Exportações de Café
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Setembro 2007 - Ano 86 - Nº 823

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Laboratórios e aulas de informática; rodas de leitura e teatro infantil; aulas de artesanato; centros culturais e bibliotecas, e até centros de terapias alternativas e escola de artes plásticas para pessoas especiais. Essas são algumas das atividades que empresários do agronegócio café, individualmente ou por meio de entidades de classe, institutos e fundações, vêm realizando junto às suas comunidades cafeeiras, beneficiando milhares de brasileiros de todas as idades. São ações sociais e projetos comunitários extremamente organizados, que não visam o mero assistencialismo, mas sim contribuir para a formação e a capacitação das pessoas envolvidas, resgatando tradições, promovendo a inclusão social, valorizando a importância do ambiente familiar e gerando bem-estar.

Além das iniciativas que partem dos empresários, as próprias entidades estimulam seus associados e parceiros a investirem em ações do gênero. Um grande exemplo é o pioneiro programa “Criança do Café na Escola”, realizado pelo Cecafé desde novembro de 2003, que tem como objetivo promover a inclusão digital dos alunos das escolas das áreas rurais. Hoje, participam do programa 18.500 crianças e adolescentes de 58 escolas espalhadas pelo Brasil. Contando com “padrinhos”, empresas exportadoras que atuam nas regiões e importadores do café brasileiro, essas escolas ganharam salas de informática com 10 computadores cada, instalações elétricas adequadas, móveis ergonômicos, tv e dvd, e cursos de capacitação dos professores. Todo o programa tem acompanhamento pedagógico e passa por avaliações periódicas, para adequação às necessidades de cada localidade.

Outro exemplo de ação promovida por uma entidade é o “Café na Merenda, Saúde na Escola”, lançado pela ABIC e implementado este ano por duas torrefadoras, ambas de Minas Gerais: Café Cajubá, de Uberlândia, e Café Toko, de Juiz de Fora. Com caráter social e científico, o projeto tem como objetivo auxiliar na disseminação de hábitos de alimentação saudáveis junto aos jovens, além de destacar as propriedades do consumo moderado do café para a saúde, divulgando seus benefícios à atividade intelectual, ao aprendizado escolar e à prevenção de doenças. Cabe às empresas oferecer todo o suporte e material necessário: curso de treinamento das cozinheiras, maquinário, canecas, leite, açúcar e pó de café. Além disso, há todo um material pedagógico produzido pela ABIC, como apostilas e filmes, e uma programação de atividades lúdicas, como concursos de redação, teatro de fantoches, etc. O programa ainda é novo, mas diversas empresas já estão em processo de adesão e implantação e, paulatinamente, mais escolas e crianças serão beneficiadas.

Centro Cultural

Capricho e dedicação. Essas duas palavras definem o Centro Cultural e Educacional da Fazenda Lambari (Astro Café), em Poços de Caldas, que tem o apoio – e o nome – da Kaffehuset Friele, tradicional empresa norueguesa, com mais de 200 anos na área de torrefação de café. Inaugurado em 2003, o Centro Cultural é, na verdade, uma ampliação do Guia de Histórias, programa iniciado em 2000 pela Astro Café com a instalação de uma biblioteca na Escola Municipal José Avelino, que funciona dentro da Fazenda Lambari.

Projetado todo em madeira e vidro e de frente para o cafezal, o Centro Cultural possui um anfiteatro ao ar livre com capacidade para 500 pessoas. Nele, são desenvolvidas periodicamente atividades culturais e educativas organizadas em oficinas permanentes (desenho, leitura e escrita, informática, música e capoeira) e em oficinas temporárias, de acordo com as demandas (confecção de brinquedos e de bonecos com materiais recicláveis etc.).

Café Astro: Centro Cultural da Fazenda Lambari

Apresentação de orquestras, shows e outras atrações, como as sessões de cinema aos sábados à noite, são abertas a toda comunidade. O Centro Educacional e Cultural, que atende mais de 14 fazendas ao redor da Lambari, conta com uma equipe fixa de educadores, além de artistas e colaboradores, e possui computadores de última geração conectados por satélite à Internet banda larga. A proposta é contribuir para o desenvolvimento cultural e a melhoria da qualidade de vida da população moradora das áreas rurais, valorizando a cultura local e universal, ampliando os espaços de leitura com livros de qualidade e disponibilizando meios que permitam busca de conhecimento, comunicação, expressão e acesso ao lazer.

Terapias Alternativas

Criado em setembro de 2003 pelo Grupo Sumatra, localizado em Espírito Santo do Pinhal, na região mogiana paulista, por meio da Associação Monsenhor Augusto Alves Ferreira, o Centro de Terapias Alternativas atende pacientes de todas as idades, com problemas de paralisias, traumas e deficiências, através de sessões de equoterapias e hidroterapias.

Para quem não sabe, a equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, visando o desenvolvimento biopsicossocial das pessoas com necessidades especiais. Essa atividade exige a participação do corpo inteiro, o que contribui para o desenvolvimento da força, tônus muscular, flexibilidade, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e equilíbrio. Através da interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, o ato de montar e o manuseio final, desenvolvem-se novas formas de socialização, autoconfiança e auto-estima.


Grupo Sumatra – Haras Talismã
Funcionando no Haras Talismã, também do Grupo Sumatra, o projeto conta com psicólogos, fisioterapeutas, professores de educação física, além de uma equipe contratada de tratadores e auxiliares de pista, e com o trabalho voluntário de funcionários da própria empresa, que colaboram nas áreas administrativa e operacional. A entidade atende gratuitamente mais de 70 pacientes por mês, principalmente de Espírito Santo do Pinhal. Oferece ainda acompanhamento psicológico familiar, dando assim subsídios para que o tratamento possa se estender ao lar do paciente.

O projeto começou atendendo 1.320 pessoas, em 2004. No ano passado, foram 3.520. Para este ano, a meta é chegar a quatro mil beneficiados.

O Centro de Terapias Alternativas é 100% mantido pela Sumatra, grupo que também contribui com entidades como a APAE e o Lar da Terceira Idade, e integra o programa de inclusão digital do Cecafé (Criança do Café na Escola). A Sumatra também participa da “Crescer no Campo”, uma organização não-governamental que atende o público infanto-juvenil da zona rural de Pinhal, trabalhando no reforço escolar e levando instrumentos de inclusão social a crianças e adolescentes.

Xícara da Esperança

Uma parceria entre a Fundação Educar DPaschoal (Fazenda DaTerra) e a ARM – Associação Rodrigo Mendes criou há cinco anos o projeto Hope Cup – Xícara da Esperança. Escola de artes plásticas, sem fins lucrativos, comprometida principalmente com a inclusão de pessoas em desvantagem social, a ARM desenvolve diversos projetos em comunidades carentes e atende todo tipo de pessoas interessadas em artes, independentemente de suas origens sociais, culturais ou características físicas.

Além de cursos e oficinas, a associação promove também programas de formação de educadores e de geração de renda. Anualmente, são realizadas exposições com os melhores trabalhos dos alunos.

As xícaras foram desenvolvidas especialmente para degustação de cafés expressos, com 30 ml, trazendo um design inovador. Já são quatro coleções, com desenhos exclusivos: “Fragmentos”, “Sunrise”, “Contrastes” e “Abstratos”. A comercialização dessas peças representa 30% do faturamento da entidade, hoje de aproximadamente R$ 700 mil. A verba é revertida para projetos da própria associação.

Fundação Educar – Fazenda da Terra

Ciranda da Leitura

Por meio do Instituto Ipanema de Desenvolvimento Social, criado em 2000, a Ipanema Coffees, com sede em Alfenas, no Sul de Minas, conduz mais de 10 programas sociais que, só no ano passado, beneficiaram mais de 12 mil pessoas de todas as idades. Entre as atividades, destacam-se o apoio às creches municipais, que atendem mais de 580 crianças; às entidades Pastorais; de Assistência e Abrigo; Casas de Recuperação de Dependentes Químicos e Casas de Recuperação de Pessoas de Rua. Mantém também projetos como “Cozinha Comunitária” e “Farmácia Comunitária”, com o apoio da Starbucks Coffee Company, da qual a Ipanema é a única fornecedora brasileira.

Outro programa pioneiro na região é o “Educação em Ação”, lançado em 2002 e destinado a parentes e filhos de funcionários.

Na casa sede do Instituto, em Alfenas, profissionais da área de educação desenvolvem atividades de reforço escolar, leitura, artes, teatro, dança, música e trabalhos manuais. Uma horta é mantida pelas crianças, que aprendem a dar seus primeiros passos nos cuidados com as plantas e têm as primeiras noções de agricultura e meio ambiente. A meninada planta, rega, cuida e, depois de colhidas, as verduras e hortaliças são distribuídas entre todos. São assistidas diariamente 50 crianças no período matinal e vespertino.

Um dos mais recentes projetos é a “Ciranda da Leitura”, que também conta com o apoio da Starbucks. O objetivo é levar conhecimento para as pessoas carentes, por meio de uma biblioteca instalada em uma Kombi toda pintada com figuras infantis, que circula diariamente pelas creches e escolas municipais e rurais, com “contadores de histórias” devidamente treinados promovendo rodas de leitura, teatro de fantoches e outras brincadeiras educativas.

A Starbucks Brasil também virou “madrinha” do projeto. Em maio passado, promoveu uma campanha interna na rede de cafeterias e conseguiu arrecadar 169 livros infanto-juvenis para a “Ciranda da Leitura”. Como recompensa, os 10 ‘partners’ (colaboradores) da Starbucks que mais se destacaram na promoção foram a Alfenas fazer pessoalmente a entrega dos livros e depois visitaram a Fazenda Conquista, uma das propriedades da Ipanema Coffees. A própria diretora geral da Starbucks Brasil, Maria Luisa Rodenbeck, faz questão de promover pessoalmente o projeto da Ciranda. Para se ter uma idéia, ela aceitou dar uma palestra em outubro para o Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro, em São Paulo, mas combinou que o ingresso será a doação de um livro infanto-juvenil, que depois seguirá para a meninada da Ciranda.

“Queiram ou não, as empresas se aperceberam como agentes sociais no processo de transformação da sociedade. Apoiar o desenvolvimento da comunidade e preservar o meio ambiente já não são atitudes suficientes para atribuir a uma empresa a condição de socialmente responsável. Sua responsabilidade transcende os muros da fábrica ou a cerca da fazenda. Avança no bem-estar dos seus funcionários e dependentes, num ambiente de trabalho saudável, nas comunicações transparentes e na relação ética com seus parceiros e consumidores”, define Washington Rodrigues, presidente da Ipanema Coffees.

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