Laboratórios
e aulas de informática; rodas de leitura e
teatro infantil; aulas de artesanato; centros culturais
e bibliotecas, e até centros de terapias alternativas
e escola de artes plásticas para pessoas especiais.
Essas são algumas das atividades que empresários
do agronegócio café, individualmente
ou por meio de entidades de classe, institutos e fundações,
vêm realizando junto às suas comunidades
cafeeiras, beneficiando milhares de brasileiros de
todas as idades. São ações sociais
e projetos comunitários extremamente organizados,
que não visam o mero assistencialismo, mas
sim contribuir para a formação e a capacitação
das pessoas envolvidas, resgatando tradições,
promovendo a inclusão social, valorizando a
importância do ambiente familiar e gerando bem-estar.
Além das iniciativas que partem dos empresários,
as próprias entidades estimulam seus associados
e parceiros a investirem em ações do
gênero. Um grande exemplo é o pioneiro
programa “Criança do Café na Escola”,
realizado pelo Cecafé desde novembro de 2003,
que tem como objetivo promover a inclusão digital
dos alunos das escolas das áreas rurais. Hoje,
participam do programa 18.500 crianças e adolescentes
de 58 escolas espalhadas pelo Brasil. Contando com
“padrinhos”, empresas exportadoras que
atuam nas regiões e importadores do café
brasileiro, essas escolas ganharam salas de informática
com 10 computadores cada, instalações
elétricas adequadas, móveis ergonômicos,
tv e dvd, e cursos de capacitação dos
professores. Todo o programa tem acompanhamento pedagógico
e passa por avaliações periódicas,
para adequação às necessidades
de cada localidade.
Outro exemplo de ação promovida por
uma entidade é o “Café na Merenda,
Saúde na Escola”, lançado pela
ABIC e implementado este ano por duas torrefadoras,
ambas de Minas Gerais: Café Cajubá,
de Uberlândia, e Café Toko, de Juiz de
Fora. Com caráter social e científico,
o projeto tem como objetivo auxiliar na disseminação
de hábitos de alimentação saudáveis
junto aos jovens, além de destacar as propriedades
do consumo moderado do café para a saúde,
divulgando seus benefícios à atividade
intelectual, ao aprendizado escolar e à prevenção
de doenças. Cabe às empresas oferecer
todo o suporte e material necessário: curso
de treinamento das cozinheiras, maquinário,
canecas, leite, açúcar e pó de
café. Além disso, há todo um
material pedagógico produzido pela ABIC, como
apostilas e filmes, e uma programação
de atividades lúdicas, como concursos de redação,
teatro de fantoches, etc. O programa ainda é
novo, mas diversas empresas já estão
em processo de adesão e implantação
e, paulatinamente, mais escolas e crianças
serão beneficiadas.
Centro
Cultural
Capricho e dedicação. Essas duas palavras
definem o Centro Cultural e Educacional da Fazenda
Lambari (Astro Café), em Poços de Caldas,
que tem o apoio – e o nome – da Kaffehuset
Friele, tradicional empresa norueguesa, com mais de
200 anos na área de torrefação
de café. Inaugurado em 2003, o Centro Cultural
é, na verdade, uma ampliação
do Guia de Histórias, programa iniciado em
2000 pela Astro Café com a instalação
de uma biblioteca na Escola Municipal José
Avelino, que funciona dentro da Fazenda Lambari.
| Projetado
todo em madeira e vidro e de frente para o cafezal,
o Centro Cultural possui um anfiteatro ao ar livre
com capacidade para 500 pessoas. Nele, são
desenvolvidas periodicamente atividades culturais
e educativas organizadas em oficinas permanentes
(desenho, leitura e escrita, informática,
música e capoeira) e em oficinas temporárias,
de acordo com as demandas (confecção
de brinquedos e de bonecos com materiais recicláveis
etc.). |
Café Astro: Centro Cultural
da Fazenda Lambari |
Apresentação
de orquestras, shows e outras atrações,
como as sessões de cinema aos sábados
à noite, são abertas a toda comunidade.
O Centro Educacional e Cultural, que atende mais de
14 fazendas ao redor da Lambari, conta com uma equipe
fixa de educadores, além de artistas e colaboradores,
e possui computadores de última geração
conectados por satélite à Internet banda
larga. A proposta é contribuir para o desenvolvimento
cultural e a melhoria da qualidade de vida da população
moradora das áreas rurais, valorizando a cultura
local e universal, ampliando os espaços de
leitura com livros de qualidade e disponibilizando
meios que permitam busca de conhecimento, comunicação,
expressão e acesso ao lazer.
Terapias
Alternativas
Criado em setembro de 2003 pelo Grupo Sumatra, localizado
em Espírito Santo do Pinhal, na região
mogiana paulista, por meio da Associação
Monsenhor Augusto Alves Ferreira, o Centro de Terapias
Alternativas atende pacientes de todas as idades,
com problemas de paralisias, traumas e deficiências,
através de sessões de equoterapias e
hidroterapias.
Para quem não sabe, a equoterapia é
um método terapêutico e educacional que
utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar,
nas áreas de saúde, educação
e equitação, visando o desenvolvimento
biopsicossocial das pessoas com necessidades especiais.
Essa atividade exige a participação
do corpo inteiro, o que contribui para o desenvolvimento
da força, tônus muscular, flexibilidade,
relaxamento, conscientização do próprio
corpo e aperfeiçoamento da coordenação
motora e equilíbrio. Através da interação
com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, o ato
de montar e o manuseio final, desenvolvem-se novas
formas de socialização, autoconfiança
e auto-estima.
Grupo Sumatra – Haras Talismã |
Funcionando
no Haras Talismã, também do Grupo
Sumatra, o projeto conta com psicólogos,
fisioterapeutas, professores de educação
física, além de uma equipe contratada
de tratadores e auxiliares de pista, e com o trabalho
voluntário de funcionários da própria
empresa, que colaboram nas áreas administrativa
e operacional. A entidade atende gratuitamente
mais de 70 pacientes por mês, principalmente
de Espírito Santo do Pinhal. Oferece ainda
acompanhamento psicológico familiar, dando
assim subsídios para que o tratamento possa
se estender ao lar do paciente. |
O projeto começou atendendo 1.320 pessoas,
em 2004. No ano passado, foram 3.520. Para este ano,
a meta é chegar a quatro mil beneficiados.
O Centro de Terapias Alternativas é 100% mantido
pela Sumatra, grupo que também contribui com
entidades como a APAE e o Lar da Terceira Idade, e
integra o programa de inclusão digital do Cecafé
(Criança do Café na Escola). A Sumatra
também participa da “Crescer no Campo”,
uma organização não-governamental
que atende o público infanto-juvenil da zona
rural de Pinhal, trabalhando no reforço escolar
e levando instrumentos de inclusão social a
crianças e adolescentes.
Xícara
da Esperança
Uma parceria entre a Fundação Educar
DPaschoal (Fazenda DaTerra) e a ARM – Associação
Rodrigo Mendes criou há cinco anos o projeto
Hope Cup – Xícara da Esperança.
Escola de artes plásticas, sem fins lucrativos,
comprometida principalmente com a inclusão
de pessoas em desvantagem social, a ARM desenvolve
diversos projetos em comunidades carentes e atende
todo tipo de pessoas interessadas em artes, independentemente
de suas origens sociais, culturais ou características
físicas.
Além de cursos e oficinas, a associação
promove também programas de formação
de educadores e de geração de renda.
Anualmente, são realizadas exposições
com os melhores trabalhos dos alunos.
| As
xícaras foram desenvolvidas especialmente
para degustação de cafés
expressos, com 30 ml, trazendo um design inovador.
Já são quatro coleções,
com desenhos exclusivos: “Fragmentos”,
“Sunrise”, “Contrastes”
e “Abstratos”. A comercialização
dessas peças representa 30% do faturamento
da entidade, hoje de aproximadamente R$ 700 mil.
A verba é revertida para projetos da própria
associação. |
Fundação
Educar – Fazenda da Terra |
Ciranda
da Leitura
|
Por
meio do Instituto Ipanema de Desenvolvimento Social,
criado em 2000, a Ipanema Coffees, com sede em
Alfenas, no Sul de Minas, conduz mais de 10 programas
sociais que, só no ano passado, beneficiaram
mais de 12 mil pessoas de todas as idades. Entre
as atividades, destacam-se o apoio às creches
municipais, que atendem mais de 580 crianças;
às entidades Pastorais; de Assistência
e Abrigo; Casas de Recuperação de
Dependentes Químicos e Casas de Recuperação
de Pessoas de Rua. Mantém também
projetos como “Cozinha Comunitária”
e “Farmácia Comunitária”,
com o apoio da Starbucks Coffee Company, da qual
a Ipanema é a única fornecedora
brasileira.
Outro programa pioneiro na região é
o “Educação em Ação”,
lançado em 2002 e destinado a parentes
e filhos de funcionários. |
Na casa sede do Instituto, em Alfenas, profissionais
da área de educação desenvolvem
atividades de reforço escolar, leitura, artes,
teatro, dança, música e trabalhos manuais.
Uma horta é mantida pelas crianças,
que aprendem a dar seus primeiros passos nos cuidados
com as plantas e têm as primeiras noções
de agricultura e meio ambiente. A meninada planta,
rega, cuida e, depois de colhidas, as verduras e hortaliças
são distribuídas entre todos. São
assistidas diariamente 50 crianças no período
matinal e vespertino.
| Um
dos mais recentes projetos é a “Ciranda
da Leitura”, que também conta com
o apoio da Starbucks. O objetivo é levar
conhecimento para as pessoas carentes, por meio
de uma biblioteca instalada em uma Kombi toda
pintada com figuras infantis, que circula diariamente
pelas creches e escolas municipais e rurais, com
“contadores de histórias” devidamente
treinados promovendo rodas de leitura, teatro
de fantoches e outras brincadeiras educativas. |
|
A Starbucks Brasil também virou “madrinha”
do projeto. Em maio passado, promoveu uma campanha
interna na rede de cafeterias e conseguiu arrecadar
169 livros infanto-juvenis para a “Ciranda da
Leitura”. Como recompensa, os 10 ‘partners’
(colaboradores) da Starbucks que mais se destacaram
na promoção foram a Alfenas fazer pessoalmente
a entrega dos livros e depois visitaram a Fazenda
Conquista, uma das propriedades da Ipanema Coffees.
A própria diretora geral da Starbucks Brasil,
Maria Luisa Rodenbeck, faz questão de promover
pessoalmente o projeto da Ciranda. Para se ter uma
idéia, ela aceitou dar uma palestra em outubro
para o Centro Universitário Senac – Campus
Santo Amaro, em São Paulo, mas combinou que
o ingresso será a doação de um
livro infanto-juvenil, que depois seguirá para
a meninada da Ciranda.
“Queiram ou não, as empresas se aperceberam
como agentes sociais no processo de transformação
da sociedade. Apoiar o desenvolvimento da comunidade
e preservar o meio ambiente já não são
atitudes suficientes para atribuir a uma empresa a
condição de socialmente responsável.
Sua responsabilidade transcende os muros da fábrica
ou a cerca da fazenda. Avança no bem-estar
dos seus funcionários e dependentes, num ambiente
de trabalho saudável, nas comunicações
transparentes e na relação ética
com seus parceiros e consumidores”, define Washington
Rodrigues, presidente da Ipanema Coffees.
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