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Setembro 2007 - Ano 86 - Nº 823

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Com o propósito de pensar os rumos da cafeicultura brasileira para os próximos anos, os elos da cadeia produtiva estiveram reunidos na Sociedade Rural Brasileira (SRB) no mês de agosto. Conduzida pelo produtor Luís Hafers, diretor de café da SRB e presidente da Associação Paranaense de Produtores de Café (APAC), a reunião contou com a participação de produtores e de representantes da indústria, comércio e exportação, além de entidades financeiras e de pesquisa e estatística. “É hora de traçar planos e discutir a cafeicultura com a nova geração de produtores do País”, disse Hafers.

O encontro originou a elaboração de um documento que será enviado para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A idéia do setor é traçar um plano para a cultura, com vistas a aumentar a produtividade, renovar os parques cafeeiros, reduzir os custos de produção, adequar a logística, melhorar o manejo e otimizar as vendas internas e externas do grão. “Trata-se de um planejamento estratégico com diretrizes para a política cafeeira sustentável de longo prazo”, explicou Luís Hafers.

Para ele, a reunião manteve a tônica política: “Temos que proclamar a Sociedade Rural Brasileira como força agregadora dos associados. Ela é peça fundamental nas discussões propostas para os próximos 10 ou 20 anos”, defende. O diretor também prega a adoção de uma visão mercadológica por parte da cadeia do café. “Nossos problemas têm de estar relacionados com a demanda de café e não com a oferta. Precisamos produzir o que vendemos e não o que plantamos”, sintetiza.

Na avaliação de Cesário Ramalho, presidente da SRB, a entidade tem a obrigação de interagir com o pós-porteira. “Nossa função é unir a cadeia e falar com todos os elos, inclusive com o consumidor”, pondera. Cesário deseja que a SRB saia de dentro das fazendas e vá ao mercado de maneira a criar sustentabilidade para a cultura. “Essa é a história da SRB”, reforça.

Estimativas da Organização Internacional do Café (OIC) indicam que a produção mundial de café para o período 2006/07 (outubro/setembro) deve somar 121,42 milhões de sacas, com um aumento de 10% sobre o ciclo anterior, de 110,34 milhões de sacas. Já as previsões para 2007/08 indicam uma queda na oferta global para 112 milhões de sacas, em função da menor produção, sobretudo no Brasil, principal produtor e exportador do planeta. Mas o consumo global tende a se manter aquecido. No período 2006/07, está estimado em 119,43 milhões de sacas. E, em 2007/08, a previsão é que o consumo ultrapasse as 120 milhões de sacas.

Para Hafers, o setor tem de manter-se atualizado em relação às necessidades globais. “Precisamos saber quanto será a demanda global nos próximos anos e quanto o Brasil precisará produzir para atender o consumo global. Afinal, sabemos que o mercado mundial quer mais produto brasileiro”, avalia o diretor da SRB. Mauro Malta, diretor executivo da ABICS, defende a utilização dos recursos do Funcafé para apoiar programas de melhoria da infra-estrutura das propriedades cafeeiras, com o objetivo de aumentar a produtividade e a qualidade da produção enquanto fatores de elevação da renda do cafeicultor.

Luiz Hafers e Cesário Ramalho da SRB

“As disponibilidades do Fundo não podem ficar limitadas aos financiamentos de colheita e estocagem. Devem, também, dar suporte financeiro a aperfeiçoamentos estruturais da cadeia, aliás como prevê a legislação que instituiu o Funcafé”, ressalta Malta.

De acordo com levantamento de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café do período 2007/08 deve somar 32,6 milhões de sacas, volume 23,3% menor que o registrado no período passado, devido a diversos fatores, como a seca ocorrida nas regiões produtoras na fase de floração do grão, as chuvas entre dezembro e janeiro, que estimularam a ocorrência de pragas, e o ciclo de baixa da cultura, bianual.

Um bom exemplo a ser seguido, segundo sugere o analista da Conab Jorge Queiroz, é o dos produtores do estado do Paraná. Com uma forte geada registrada em 1975, a cafeicultura da região foi dizimada e somente alguns poucos cafeicultores permaneceram no estado. Mas, apesar das adversidades climáticas, produtores paranaenses reconstruíram a cafeicultura e hoje registram produção média de 17,51 sacas por hectare, acima da média brasileira, de 15,84 sacas por hectare estimada para a safra 2007/08. “Com cem mil hectares destinados ao plantio do café, o estado do Paraná conta essencialmente com pequenos produtores e se tornou um bom exemplo a ser copiado”, salienta Jorge.

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