Com
o propósito de pensar os rumos da cafeicultura
brasileira para os próximos anos, os elos da
cadeia produtiva estiveram reunidos na Sociedade Rural
Brasileira (SRB) no mês de agosto. Conduzida
pelo produtor Luís Hafers, diretor de café
da SRB e presidente da Associação Paranaense
de Produtores de Café (APAC), a reunião
contou com a participação de produtores
e de representantes da indústria, comércio
e exportação, além de entidades
financeiras e de pesquisa e estatística. “É
hora de traçar planos e discutir a cafeicultura
com a nova geração de produtores do
País”, disse Hafers.
O encontro originou a elaboração de
um documento que será enviado para o Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. A idéia do
setor é traçar um plano para a cultura,
com vistas a aumentar a produtividade, renovar os
parques cafeeiros, reduzir os custos de produção,
adequar a logística, melhorar o manejo e otimizar
as vendas internas e externas do grão. “Trata-se
de um planejamento estratégico com diretrizes
para a política cafeeira sustentável
de longo prazo”, explicou Luís Hafers.
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Para
ele, a reunião manteve a tônica política:
“Temos que proclamar a Sociedade Rural Brasileira
como força agregadora dos associados. Ela
é peça fundamental nas discussões
propostas para os próximos 10 ou 20 anos”,
defende. O diretor também prega a adoção
de uma visão mercadológica por parte
da cadeia do café. “Nossos problemas
têm de estar relacionados com a demanda
de café e não com a oferta. Precisamos
produzir o que vendemos e não o que plantamos”,
sintetiza. |
Na avaliação de Cesário Ramalho,
presidente da SRB, a entidade tem a obrigação
de interagir com o pós-porteira. “Nossa
função é unir a cadeia e falar
com todos os elos, inclusive com o consumidor”,
pondera. Cesário deseja que a SRB saia de dentro
das fazendas e vá ao mercado de maneira a criar
sustentabilidade para a cultura. “Essa é
a história da SRB”, reforça.
Estimativas da Organização Internacional
do Café (OIC) indicam que a produção
mundial de café para o período 2006/07
(outubro/setembro) deve somar 121,42 milhões
de sacas, com um aumento de 10% sobre o ciclo anterior,
de 110,34 milhões de sacas. Já as previsões
para 2007/08 indicam uma queda na oferta global para
112 milhões de sacas, em função
da menor produção, sobretudo no Brasil,
principal produtor e exportador do planeta. Mas o
consumo global tende a se manter aquecido. No período
2006/07, está estimado em 119,43 milhões
de sacas. E, em 2007/08, a previsão é
que o consumo ultrapasse as 120 milhões de
sacas.
| Para
Hafers, o setor tem de manter-se atualizado em
relação às necessidades globais.
“Precisamos saber quanto será a demanda
global nos próximos anos e quanto o Brasil
precisará produzir para atender o consumo
global. Afinal, sabemos que o mercado mundial
quer mais produto brasileiro”, avalia o
diretor da SRB. Mauro Malta, diretor executivo
da ABICS, defende a utilização dos
recursos do Funcafé para apoiar programas
de melhoria da infra-estrutura das propriedades
cafeeiras, com o objetivo de aumentar a produtividade
e a qualidade da produção enquanto
fatores de elevação da renda do
cafeicultor. |
Luiz
Hafers e Cesário Ramalho da SRB |
“As
disponibilidades do Fundo não podem ficar limitadas
aos financiamentos de colheita e estocagem. Devem,
também, dar suporte financeiro a aperfeiçoamentos
estruturais da cadeia, aliás como prevê
a legislação que instituiu o Funcafé”,
ressalta Malta.
De acordo com levantamento de agosto da Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café
do período 2007/08 deve somar 32,6 milhões
de sacas, volume 23,3% menor que o registrado no período
passado, devido a diversos fatores, como a seca ocorrida
nas regiões produtoras na fase de floração
do grão, as chuvas entre dezembro e janeiro,
que estimularam a ocorrência de pragas, e o
ciclo de baixa da cultura, bianual.
Um bom exemplo a ser seguido, segundo sugere o analista
da Conab Jorge Queiroz, é o dos produtores
do estado do Paraná. Com uma forte geada registrada
em 1975, a cafeicultura da região foi dizimada
e somente alguns poucos cafeicultores permaneceram
no estado. Mas, apesar das adversidades climáticas,
produtores paranaenses reconstruíram a cafeicultura
e hoje registram produção média
de 17,51 sacas por hectare, acima da média
brasileira, de 15,84 sacas por hectare estimada para
a safra 2007/08. “Com cem mil hectares destinados
ao plantio do café, o estado do Paraná
conta essencialmente com pequenos produtores e se
tornou um bom exemplo a ser copiado”, salienta
Jorge.
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