As
terras da fazenda Cachoeira da Alegria tiveram como
primeiro proprietário João Baptista
Soares de Meirelles, importante mestre na cidade do
Rio de Janeiro durante quase toda a vida.
Em 10 de dezembro de 1802, ele recebeu a carta de
sesmaria assinada por dom Fernando, confirmada, em
22 de março de 1804, pelo príncipe regente,
dom João. Em 1812, pediu a medição
e demarcação de sua sesmaria, mas até
1817 o processo de demarcação não
havia sido concluído. Sabe-se, porém,
que provavelmente em 1826, por motivo de saúde,
já passara a residir naquelas terras, onde
fundou a fazenda São João Batista, situada
na antiga vila de Santa Thereza, hoje município
de Rio das Flores.
Casou-se com dona Joana Leonisia, a quem jurara amor
eterno, e depois de sua viuvez tornou-se padre, passando
a ser chamado de Padre Mestre. De sua união
com dona Joana nasceram três filhos: Teresa
de Jesus Maria Soares de Medeiros, que veio a se casar
com Matheus Gomes do Val, José Estanislau e
João Batista.
Após a morte de Padre Mestre, as terras em
que se encontrava a sede da fazenda São João
Batista passam para seu filho João Batista.
Outra parte, coberta de mata virgem no início
do século XIX, fica para seu genro Matheus
Gomes do Val, que constrói a singular sede
da fazenda Cachoeira da Alegria, num vale cujo silêncio
é quebrado apenas pelo canto dos pássaros.
Na entrada da casa, uma escada com degraus em pedra
lavrada em forma de leque leva a uma ante-sala toda
envidraçada, com janelas arqueadas e contíguas,
permitindo uma visão ampla do pomar que outrora
verdejava naquele imenso vale. Pela ante-sala chegava-se
à sala de visitas, ladeada por quatro enormes
quartos, dois de cada lado. Daí, passava-se
à sala de jantar, e havia mais dois quartos
que completavam a base da edificação
em forma de L. Da sala de visitas, uma porta levava
a um corredor repleto de janelas à direita,
que davam para um jardim; à esquerda, mais
quartos, com janelas voltadas para o terreiro em frente
à senzala em forma de Z; e, no final deste
corredor, uma saleta com um oratório. Junto
a este, um outro cômodo com a despensa, e a
seguir a cozinha, com saída para uma escadaria
também em pedra lavrada.
| Em
1890, morre o senhor Matheus e a fazenda passa
às mãos de seu filho, José
Gomes do Val. No cartório da cidade de
Rio das Flores, verificou-se que, em 1939, a fazenda
foi adquirida pelo doutor Hisbelo Florentino Correa
de Mello, das mãos do senhor Cleyton Lemos
de Orlando e sua esposa. Mas não foi possível
precisar até que data a fazenda permaneceu
com a família de seus fundadores. |
|
De 1939 até hoje, a fazenda teve vários
proprietários, encontrando-se agora com os
irmãos Antonio Dias Garcia Bisneto e Paulino
Campos Dias Garcia, que nela desenvolvem a pecuária
de leite.
|