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Porto do Rio Consolida Retomada das Exportações de Café
Multiterminais Amplia Estrutura Operacional
Março 2008 - Ano 87 - Nº 825

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Com a decisão da Multiterminais de se voltar para outras áreas, o grupo Libra, que ocupa o Terminal 1, no cais do Caju, torna-se o único terminal a processar café pelo porto carioca. A saída da Multerminais é atribuída ao aumento da demanda por peças para estaleiros e plataformas de petróleo, segmento ao qual a Multerminais resolveu dar prioridade. A Libra Terminal Rio S.A., que já operava com café, aproveitou a lacuna deixada pela Multiterminais, e já fez alguns importantes investimentos para ampliar sua capacidade de estufagem e movimentação de café.

O primeiro investimento foi a aquisição de uma máquina nova de estufagem, que pode operar, no armazém coberto, com três caminhões simultaneamente, de maneira a permitir blends de até três tipos, o que é um importante diferencial do porto do Rio.

O custo da máquina e seus acessórios ficou em R$ 284 mil, podendo ser operada por oito ou nove homens, e tem capacidade de encher um contêiner de vinte pés, correspondente a 350 sacas de 60 kg, em 17 minutos.

Paulo Cesar Gamba, gerente comercial da Libra, afirma que a empresa está preparada para operar até 200 contêineres por mês, o que corresponderia a aproximadamente 70 mil sacas de 60 kg, ou 840 mil sacas por ano, volume superior à exportação do Rio em 2007, contada em 782 mil sacas pela Secretaria de Comércio Exterior, o que, por sua vez, foi equivalente a 3,2% do total nacional.

Daniel Areias e Paulo Gamba

Entretanto, o presidente da Libra-Rio, José Eduardo Bechara, garante que a empresa tem interesse e condições de ampliar a capacidade conforme a demanda. “Não precisamos fazer nenhum investimento em estrutura com muita antecedência. Se notarmos que a capacidade está chegando no limite, a gente investe. Podemos aumentar a capacidade com bastante facilidade e rapidez”, explica Bechara, empenhado em recuperar a exportação de café pelo Rio e atrair clientes que usam outros portos. A Libra já atua como operadora portuária em Santos, com café e outros produtos, e quer usar este conhecimento para elevar a participação do Rio no escoamento da produção brasileira.

A exportação pelo Rio havia se recuperado ao final da década de 90, chegando a 3,93 milhões de sacas em 2002, 15% da exportação brasileira de café verde. A entrada de Sepetiba, todavia, canalizou boa parte do volume que vinha sendo embarcado através do cais do Caju. O porto de Sepetiba cresceu de volume zero em 2002 para 1,50 milhão de sacas em 2007, 6% do total brasileiro.

Apesar da queda registrada nos últimos anos, a expectativas para o Caju são boas. Uma ampla reforma dos acessos ao cais foi incluída no Plano de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo federal, e a prefeitura do Rio também tem projetos de modernização do porto. Será construída uma ligação viária direta da Avenida Brasil ao porto e um grande centro de triagem, com estacionamento gigante para os caminhões que chegam ao cais. O PAC inclui ainda uma nova dragagem na baía de Guanabara, de forma a manter o calado de 12 a 13 metros, que permite a entrada de navios com capacidade de até 5.000 containeres. “A demanda do Rio deve aumentar desde que as operadoras ofereçam estrutura adequada para o embarque de volumes maiores”, acredita Bechara.

O gerente Paulo Gamba informa que o terminal também realiza a exportação de café torrado, com pelo menos uma empresa, a italiana Segafredo, entregando volumes regulares. Na seção de café verde, têm sido realizadas, nos últimos meses, estufagens a granel de 20 contêiners por semana e outras de 40 contêineres semanais com sacarias tradicionais. Segundo Gamba, os principais armadores do mundo têm escalas regulares no Rio, como a dinamarquesa Maersk, a alemã Hamburg Sud, a chilena CSAV e a francesa CMA CGM. Os exportadores que vêm trabalhando com mais regularidade no terminal do Rio são: Unicafé, Outspam, Nicchio Sobrinho, Valorização, Sumatra, Guaxupé Ltda., Stockler, e Tristão, entre outras. Gamba admite, no entanto, que um dos problemas do café no Rio tem sido a instabilidade da demanda. A expectativa da Libra é que, oferecendo uma estrutura melhor para o exportador, a demanda por café possa se estabilizar e crescer.

O executivo observa que as operações de exportação no terminal 1 do Caju têm crescido em torno de 10% ao ano, contra um crescimento de 15% a 20% das importações. A disponibilidade de contêineres, portanto, tem sido tranquila. Há alguns anos, devido à queda das importações brasileiras, houve falta de contêiner nos terminais, obrigando alguns armadores a trazer contêineres vazios nos navios. Gamba explica que os contêineres pertencem, em geral, aos armadores, mas uma parte é de propriedade de empresas de leasing, como Matson e Genstar, contratadas pelos armadores. O preço de um contêiner de 20 pés tipo simples, ou dry box, com capacidade para cerca de 20 toneladas, está em torno de 10 a 15 mil dólares, segundo Gamba. Os contêineres para café, lembra o executivo, devem ter características especiais, como não ter levado produto químico e não possuir nenhum tipo de cheiro.

O Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação, o Redex Libra Rio, inaugurado em setembro de 2007, tem 23 mil metros quadrados de área total, 3 mil metros de armazéns cobertos, e capacidade estática de 2.500 TEUs (contêiner). Com assessoria do Centro do Comércio de Café do Rio de Janeiro (CCCRJ), que mantém um funcionário no recinto, o Redex recebe os cafés entregues pelos exportadores, em sacaria, a granel ou em big bag, realiza a estufagem (enchimento dos contêineres), procede o desembaraço alfandegário e conduz os contêineres, já lacrados, ao terminal de embarque, onde estão instalados três portêineres (um deles adquirido recentemente) que os transportam para dentro dos navios. O Redex tem cerca de 36 empregados fixos.

A Libra tem ainda objetivos terceiros com o café, admite Bechara. O fato do café ser um produto muito tradicional e com destinação para todas as partes do planeta, costuma atrair muitos armadores e, portanto, muitos negócios. No Redex do Caju, a Libra já trabalha com leite em pó e condensado, autopeças, arames galvanizados, alguns tipos de minério, como silício metálico, entre outros produtos. Outro segmento no qual a Libra opera bastante, diz Gamba, é o de carga consolidada. Alguns clientes não têm volume suficiente para encher um contêiner inteiro, então contratam um agente, chamado NVOCC, que se encarrega de encontrar cargas de outros clientes que tenham destino similar. O agente leva o material até o Redex Libra Rio, que estufa os produtos dentro do mesmo contêiner e o entrega no terminal de carga.

Uma das razões para se acreditar no potencial de crescimento do porto do Rio, diz Bechara, é a sua ociosidade, tanto de espaço terrestre quanto marítimo, à diferença do porto de Santos, que concentra 70% das exportações brasileiras de café. As obras do PAC para melhorar o acesso ao local também são vistas pelos executivos da Libra como um importante incentivo para o revigoramento quantitativo e qualitativo das docas do Rio.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a exportação pelo porto do Rio, considerando todos os produtos, aumentou 65% de 2002 a 2007, de 4,40 milhões de toneladas para 7,27 milhões de toneladas. O grupo do café, chá, mate e especiarias, ficou em décimo segundo lugar no ranking dos principais produtos exportados pelo Rio em 2007, com 50,28 mil toneladas, correspondentes a 0,7% do volume total de exportação no porto. Em valor, a exportação pelo Rio totalizou US$ 7,85 bilhões em 2007, aumento de 188% sobre 2002, com o café respondendo por US$ 114 milhões deste total, ou 1,5%.

Os principais produtos exportados pelo porto do Rio em 2007 foram: 1) ferro fundido; 2) combustíveis; 3) obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica, etc; 4) obras de ferro fundido; 6) produtos químicos inorgânicos; 7) veículos automotores e partes; 8) plásticos; 9) reatores nucleares; 10) bebidas alcóolicas e vinagres; 11) borracha e suas obras; e, finalmente, 12) café, chá, mate e especiarias.

É no quesito custos, porém, que o Centro do Comércio do Café do Rio de Janeiro (CCCRJ) aposta para atrair exportadores para o Caju. A capatazia ou THC do Rio para o café é a mais competitiva do país: R$ 210 por contêiner de 20 pés, contra R$ 215 em Sepetiba, R$ 250 em Vitória, e R$ 305 em Santos. O serviço de estufagem também oferece preços mais baixos que o concorrente principal, R$ 630 para o contêiner com sacaria e R$ 690 para granel, contra o preço cobrado em Santos de R$ 730 para sacaria e R$ 945 por contêiner estufado a granel. Os dados foram obtidos junto a diversas firmas de despacho aduaneiro, compilados pela redação da Revista do Café e avalizados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé.

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