Com
a decisão da Multiterminais de se voltar para
outras áreas, o grupo Libra, que ocupa o Terminal
1, no cais do Caju, torna-se o único terminal
a processar café pelo porto carioca. A saída
da Multerminais é atribuída ao aumento
da demanda por peças para estaleiros e plataformas
de petróleo, segmento ao qual a Multerminais
resolveu dar prioridade. A Libra Terminal Rio S.A.,
que já operava com café, aproveitou
a lacuna deixada pela Multiterminais, e já
fez alguns importantes investimentos para ampliar
sua capacidade de estufagem e movimentação
de café.
O primeiro investimento foi a aquisição
de uma máquina nova de estufagem, que pode
operar, no armazém coberto, com três
caminhões simultaneamente, de maneira a permitir
blends de até três tipos, o que é
um importante diferencial do porto do Rio.
O
custo da máquina e seus acessórios
ficou em R$ 284 mil, podendo ser operada por oito
ou nove homens, e tem capacidade de encher um
contêiner de vinte pés, correspondente
a 350 sacas de 60 kg, em 17 minutos.
Paulo Cesar Gamba, gerente comercial da Libra,
afirma que a empresa está preparada para
operar até 200 contêineres por mês,
o que corresponderia a aproximadamente 70 mil
sacas de 60 kg, ou 840 mil sacas por ano, volume
superior à exportação do
Rio em 2007, contada em 782 mil sacas pela Secretaria
de Comércio Exterior, o que, por sua vez,
foi equivalente a 3,2% do total nacional. |
Daniel
Areias e Paulo Gamba |
Entretanto, o presidente da Libra-Rio, José
Eduardo Bechara, garante que a empresa tem interesse
e condições de ampliar a capacidade
conforme a demanda. “Não precisamos fazer
nenhum investimento em estrutura com muita antecedência.
Se notarmos que a capacidade está chegando
no limite, a gente investe. Podemos aumentar a capacidade
com bastante facilidade e rapidez”, explica
Bechara, empenhado em recuperar a exportação
de café pelo Rio e atrair clientes que usam
outros portos. A Libra já atua como operadora
portuária em Santos, com café e outros
produtos, e quer usar este conhecimento para elevar
a participação do Rio no escoamento
da produção brasileira.
A exportação pelo Rio havia se recuperado
ao final da década de 90, chegando a 3,93 milhões
de sacas em 2002, 15% da exportação
brasileira de café verde. A entrada de Sepetiba,
todavia, canalizou boa parte do volume que vinha sendo
embarcado através do cais do Caju. O porto
de Sepetiba cresceu de volume zero em 2002 para 1,50
milhão de sacas em 2007, 6% do total brasileiro.
Apesar da queda registrada nos últimos anos,
a expectativas para o Caju são boas. Uma ampla
reforma dos acessos ao cais foi incluída no
Plano de Aceleração de Crescimento (PAC),
do governo federal, e a prefeitura do Rio também
tem projetos de modernização do porto.
Será construída uma ligação
viária direta da Avenida Brasil ao porto e
um grande centro de triagem, com estacionamento gigante
para os caminhões que chegam ao cais. O PAC
inclui ainda uma nova dragagem na baía de Guanabara,
de forma a manter o calado de 12 a 13 metros, que
permite a entrada de navios com capacidade de até
5.000 containeres. “A demanda do Rio deve aumentar
desde que as operadoras ofereçam estrutura
adequada para o embarque de volumes maiores”,
acredita Bechara.
O gerente Paulo Gamba informa que o terminal também
realiza a exportação de café
torrado, com pelo menos uma empresa, a italiana Segafredo,
entregando volumes regulares. Na seção
de café verde, têm sido realizadas, nos
últimos meses, estufagens a granel de 20 contêiners
por semana e outras de 40 contêineres semanais
com sacarias tradicionais. Segundo Gamba, os principais
armadores do mundo têm escalas regulares no
Rio, como a dinamarquesa Maersk, a alemã Hamburg
Sud, a chilena CSAV e a francesa CMA CGM. Os exportadores
que vêm trabalhando com mais regularidade no
terminal do Rio são: Unicafé, Outspam,
Nicchio Sobrinho, Valorização, Sumatra,
Guaxupé Ltda., Stockler, e Tristão,
entre outras. Gamba admite, no entanto, que um dos
problemas do café no Rio tem sido a instabilidade
da demanda. A expectativa da Libra é que, oferecendo
uma estrutura melhor para o exportador, a demanda
por café possa se estabilizar e crescer.
O executivo observa que as operações
de exportação no terminal 1 do Caju
têm crescido em torno de 10% ao ano, contra
um crescimento de 15% a 20% das importações.
A disponibilidade de contêineres, portanto,
tem sido tranquila. Há alguns anos, devido
à queda das importações brasileiras,
houve falta de contêiner nos terminais, obrigando
alguns armadores a trazer contêineres vazios
nos navios. Gamba explica que os contêineres
pertencem, em geral, aos armadores, mas uma parte
é de propriedade de empresas de leasing, como
Matson e Genstar, contratadas pelos armadores. O preço
de um contêiner de 20 pés tipo simples,
ou dry box, com capacidade para cerca de 20 toneladas,
está em torno de 10 a 15 mil dólares,
segundo Gamba. Os contêineres para café,
lembra o executivo, devem ter características
especiais, como não ter levado produto químico
e não possuir nenhum tipo de cheiro.
O Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação,
o Redex Libra Rio, inaugurado em setembro de 2007,
tem 23 mil metros quadrados de área total,
3 mil metros de armazéns cobertos, e capacidade
estática de 2.500 TEUs (contêiner). Com
assessoria do Centro do Comércio de Café
do Rio de Janeiro (CCCRJ), que mantém um funcionário
no recinto, o Redex recebe os cafés entregues
pelos exportadores, em sacaria, a granel ou em big
bag, realiza a estufagem (enchimento dos contêineres),
procede o desembaraço alfandegário e
conduz os contêineres, já lacrados, ao
terminal de embarque, onde estão instalados
três portêineres (um deles adquirido recentemente)
que os transportam para dentro dos navios. O Redex
tem cerca de 36 empregados fixos.
A Libra tem ainda objetivos terceiros com o café,
admite Bechara. O fato do café ser um produto
muito tradicional e com destinação para
todas as partes do planeta, costuma atrair muitos
armadores e, portanto, muitos negócios. No
Redex do Caju, a Libra já trabalha com leite
em pó e condensado, autopeças, arames
galvanizados, alguns tipos de minério, como
silício metálico, entre outros produtos.
Outro segmento no qual a Libra opera bastante, diz
Gamba, é o de carga consolidada. Alguns clientes
não têm volume suficiente para encher
um contêiner inteiro, então contratam
um agente, chamado NVOCC, que se encarrega de encontrar
cargas de outros clientes que tenham destino similar.
O agente leva o material até o Redex Libra
Rio, que estufa os produtos dentro do mesmo contêiner
e o entrega no terminal de carga.
Uma das razões para se acreditar no potencial
de crescimento do porto do Rio, diz Bechara, é
a sua ociosidade, tanto de espaço terrestre
quanto marítimo, à diferença
do porto de Santos, que concentra 70% das exportações
brasileiras de café. As obras do PAC para melhorar
o acesso ao local também são vistas
pelos executivos da Libra como um importante incentivo
para o revigoramento quantitativo e qualitativo das
docas do Rio.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex),
a exportação pelo porto do Rio, considerando
todos os produtos, aumentou 65% de 2002 a 2007, de
4,40 milhões de toneladas para 7,27 milhões
de toneladas. O grupo do café, chá,
mate e especiarias, ficou em décimo segundo
lugar no ranking dos principais produtos exportados
pelo Rio em 2007, com 50,28 mil toneladas, correspondentes
a 0,7% do volume total de exportação
no porto. Em valor, a exportação pelo
Rio totalizou US$ 7,85 bilhões em 2007, aumento
de 188% sobre 2002, com o café respondendo
por US$ 114 milhões deste total, ou 1,5%.
Os principais produtos exportados pelo porto do Rio
em 2007 foram: 1) ferro fundido; 2) combustíveis;
3) obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica,
etc; 4) obras de ferro fundido; 6) produtos químicos
inorgânicos; 7) veículos automotores
e partes; 8) plásticos; 9) reatores nucleares;
10) bebidas alcóolicas e vinagres; 11) borracha
e suas obras; e, finalmente, 12) café, chá,
mate e especiarias.

É
no quesito custos, porém, que o Centro do Comércio
do Café do Rio de Janeiro (CCCRJ) aposta para
atrair exportadores para o Caju. A capatazia ou THC
do Rio para o café é a mais competitiva
do país: R$ 210 por contêiner de 20 pés,
contra R$ 215 em Sepetiba, R$ 250 em Vitória,
e R$ 305 em Santos. O serviço de estufagem
também oferece preços mais baixos que
o concorrente principal, R$ 630 para o contêiner
com sacaria e R$ 690 para granel, contra o preço
cobrado em Santos de R$ 730 para sacaria e R$ 945
por contêiner estufado a granel. Os dados foram
obtidos junto a diversas firmas de despacho aduaneiro,
compilados pela redação da Revista do
Café e avalizados pelo Conselho dos Exportadores
de Café do Brasil, o Cecafé.
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