Os
eventos que marcaram os dez anos do Museu do Café
em Santos representaram um misto de história
e lançamento de desafios. De história,
além dos feitos do museu, que já recebeu
mais de 300 mil turistas, o reencontro de pessoas
tornadas notáveis no universo cafeeiro nacional
e mundial, como Alexandre Beltrão, ex-diretor
executivo da OIC, Ruy Barreto, do grupo Barreto, Jair
Coser, da Unicafé, Gilson Ximenes, do Conselho
Nacional do Café, Luiz Hafers, da Sociedade
Rural Brasileira, Américo Sato, da ABIC, entre
outros, que passaram a integrar o Conselho de Administração
do Museu ou o grupo de Conselheiros de notório
saber.
A entidade, formada em 1998, sob a denominação
de Associação dos Amigos do Museu do
Café, ao assumir e cumprir a tarefa de revitalizar
o Palácio da Bolsa (1922) e dar a Santos um
de seus mais atrativos pontos de interesse cultural
e turístico, entra em nova fase institucional,
transformando-se em Organização Social.
Nestes 10 anos de existência do Museu, os passos
para a viabilização do Museu do Café
foram longos, mas também rápidos. O
mais novo é dado pela entrega efetiva do terceiro
pavimento, em cumprimento ao Decreto no. 51.127, de
20 de setembro de 2006, o que elevará a área
disponível ao Museu para o equivalente a 75%
do imóvel.
O Presidente da Associação, Guilherme
Braga Pires Filho, entende que essa alteração
institucional é fundamental para assegurar
condições que permitam ao Museu continuar
a se desenvolver, pois “como organização
social a Associação, de um lado, passa
a se submeter a várias regras de controles
financeiros típicas do poder público
e, em contrapartida, se habilitará a receber
verbas e incentivos governamentais para seus projetos,
bem como poderá formalizar com o Governo o
contrato de gestão do prédio e contratar
com o Poder Público com dispensa de licitação.
De outro, estará aperfeiçoando o seu
sistema decisório uma vez que o Conselho de
Administração, principal órgão
de deliberação e de definição
de diretrizes, além de membros associados passa
a contar também com personalidades da comunidade,
dos segmentos cafeeiros e do corpo funcional, pelo
maior envolvimento dessas representações.
Destaco que os Conselheiros eleitos e escolhidos são
líderes da maior representatividade e verdadeiros
expoentes nas suas áreas de atuação,
capazes de conferir dimensão nacional ao Museu”.

Arnaldo Gobetti, Chefe de Gabinete do Secretário
de Cultura João Sayad, a quem representou na
cerimônia, elogiou a decisão tomada ressaltando
que, atualmente, todos os Museus paulistas adotam
a modalidade de organização social,
modelo vitorioso. Informou que o processo de qualificação
do Museu do Café como OS Organização
Social já fora deferido e remetido ao Palácio
dos Bandeirantes para aprovação do Governador
José Serra. Lembrou que fez parte da comissão
encarregada da restauração do Palácio
da Bolsa Oficial do Café, e via com muito orgulho
que o Museu do Café era uma realidade indiscutível
e que o prédio apresentava uma conservação
exemplar. Claudinelli Moreira Ramos, Coordenadora
da Unidade de Preservação do Patrimônio
Museológico da Secretaria de Cultura do Estado,
cumprimentou a Associação e destacou
a integração do Museu do Café
ao trabalho de reformulação do relacionamento
entre a Secretaria de Cultura e os Museus do Estado,
que está empreendendo com os objetivos e aumento
da eficácia das ações públicas
e o aprimoramento do sistema museológico do
Estado.
Com esse ‘portfolio’ nas mãos,
a solenidade dos dez anos, em 12 de março,
transbordou de envolvimentos emotivos e fraternais,
tanto quanto de compromissos para o futuro. Destaque
para as homenagens feitas à Associação
Comercial de Santos, que sempre apoiou o Museu, e
para Eduardo Carvalhaes Junior, seu idealizador e
primeiro presidente, que teve o reconhecimento de
seu trabalho e dedicação ao Museu de
forma calorosa por todos os presentes.
| A
cafeteria do museu, que chega a servir até
500 xícaras por dia, ou mais, quando aportam
navios de passageiros em Santos e vende cerca
de oito sacas do produto em grão torrado
por mês, logo após a posse do conselho,
reuniu os convidados para inauguração
de placas que certificam a qualidade do produto
ali servido. Uma delas assegura o status Premium
ao estabelecimento, que passou a integrar o Círculo
do Café de Qualidade (CCQ), da Abic. |
|
E
o relógio da torre da bolsa, paralisado há
mais de 20 anos, também voltou a funcionar,
pelo apoio financeiro proporcionado pela ABIC e pelo
Centro do Comércio do Café do Rio de
Janeiro.
Os compromissos para o futuro listam a reativação
do restaurante, que era explorado pelo Clube da Bolsa,
local simbólico da cidade até os anos
1960, instalação de auditório
para 70 pessoas, assinatura de convênio de cooperação
técnica e cultural com a prefeitura de Santos,
viabilização de livraria e loja de ‘souvenirs’,
instalação da segunda etapa da exposição
sobre a imigração japonesa e abertura
de exposição fotográfica de Marcos
Piffer, em agosto, sobre fazendas de café.
A reunião de diferentes segmentos do universo
cafeeiro em torno do museu, segundo Ruy Barreto, “é
um verdadeiro milagre, um monumento aos homens que
se foram”, disse. O empresário revolveu
o solo da história brasileira para lembrar
que Portugal, por vasto período, considerou
“esta colônia miserável e inviável,
mas hoje o Brasil é um exemplo para o mundo
e graças à produtividade da cafeicultura
e dos setores novos, somos a décima economia
do mundo; é um orgulho que todos nós
devemos ter”, enfatizou. Na interpretação
de Ruy Barreto, “o café criou uma nação
e a confluência desses fatores está nesta
casa, um ser vivo e dinâmico; nenhum outro prédio
teria tal significado”.
Alexandre Beltrão, que comandou a Organização
Internacional do Café (OIC) de 1968 a 1994,
revelou ao jornalista que desde que voltou para o
Brasil este era primeiro evento cafeeiro do qual participava.
“Fiquei silencioso sobre café”,
disse. “Isto (o museu) representa a correção
da memória e da importância do café
na história do Brasil”.
Formado em engenharia civil pela Politécnica
de São Paulo, em 1948, Beltrão, nascido
em Curitiba, logo voltou às raízes cafeeiras
paranaenses e antes de servir à OIC, dirigiu
o escritório do antigo IBC em Nova York. A
experiência acumulada de Beltrão nos
26 anos de Londres é uma raridade. “O
acordo vigorou em tempos de ‘guerra fria’,
antepondo um mercado livre e um mercado controlado,
quando vários países, inclusive o Brasil
(Colômbia, Etiópia...)dependiam em mais
de 50% do café em suas balanças comerciais”,
lembra.
É com esse patrimônio que Alex Beltrão,
como é mais conhecido, interpreta a existência
do Museu de Café. Ele diz que a cultura cafeeira
tem sido extremamente dinâmica. Depois do Rio
de Janeiro, entrou em São Paulo. “Formou
a base da economia de São Paulo e brasileira.
Não haveria melhor local para homenagear o
passado cafeeiro do que este. O prédio mostra
o carinho dos paulistas com a preservação
da memória”, acentua.
Gilson Ximenes Abreu, presidente do Conselho Nacional
do Café e diretor da Unicop, região
de Três Pontas (MG), afirma que “o museu
presta um serviço à cafeicultura brasileira,
pois oferece cafés de qualidade a turistas
de todo o mundo; temos de prestigiar e elogiar esta
ação, ainda mais por se tratar de Santos,
pela sua história e atração turística;
aqui se mostra outro Brasil até para os próprios
brasileiros”, sustenta.
José
Moreira entrega homenagem a
Eduardo Carvalhaes Jr. |
Para
o prefeito de Santos, João Paulo Tavares
Papa (PMDB), “a cidade está vivendo
um momento feliz, ao resgatar o que Santos tem
de melhor, o café, sua história
e o porto. Estamos conseguindo criar novos elos
com esses fatores em benefício da economia”,
assegura. Uma semana antes deste evento, a prefeitura
e a Codesp, administradora do porto de Santos,
assinaram convênio para revitalização
de área portuária, exatamente fronteiriça
ao Palácio da Bolsa. Será convertida
em espaços de lazer e comércio,
integrando o centro histórico de Santos
ao cais. “São dois ícones
que dão a Santos um diferencial. |
A bolsa é uma espécie de catedral da
economia nacional, pelo seu significado histórico”,
comemora. Papa também integra o grupo de conselheiros
de notório saber da Associação
dos Amigos do Museu de Café.
Luiz Marcos Suplicy Haffers, da Sociedade Rural Brasileira,
foi eleito presidente do conselho de administração
da Associação dos Amigos do Museu do
Café, com mandato de dois anos. Para vice,
Antonio Rubens da Costa Lara, diretor da Agência
Metropolitana da Baixada Santista (Agem). Lara faleceu
na mesma noite em que foi eleito.
| São
conselheiros associados da Associação
dos Amigos do Museu do Café, em Santos: |
| Associação
Brasileira da Indústria de Café
(Abic), representada por Américo Sato;
Associação Brasileira da Indústria
de Café Solúvel (Abics), Sérgio
Coimbra; Associação Comercial de
Santos, Nilton Silva Pinto; Bolsa de Mercadorias
e Futuros, Edemir Pinto; Centro do Comércio
de Café do Rio de Janeiro, Guilherme Braga
Neto; Centro do Comércio de Café
de Vitória, Marcelo Silveira Netto; Conselho
de Exportadores de Café do Brasil, João
Antônio Lian; Conselho Nacional do Café,
Gilson Ximenes Abreu; Cooperativa Regional de
Cafeicultores de Guaxupé, Carlos Alberto
Paulino; Escritório Carvalhaes, Sérgio
Ferreira Silva Carvalhaes; MC Coffee Brasil, Naoya
Miyakawa; P & A Marketing, Carlos Henrique
Jorge Brando; Sindicato da Indústria de
Café do Estado de São Paulo, Nathan
Herszkowicz; Sociedade Rural Brasileira, Luiz
Marcos Suplicy Haffers; Unicafé, Jair Coser;
Universidade Católica de Santos, Maria
Helena Lambert.
Conselheiros
de notório saber:
Alexandre Beltrão, André Freitas,
Humberto Santa Cruz, Joachim Timm, João
Paulo Tavares Papa, Linneu Carlos da Costa Lima,
Lucas Tadeu Ferreira, Mário Alves Barbosa
Neto, Rubens Lara, Ruy Barreto e Toru Iwasaki.
Conselheiros representantes do corpo funcional
do museu:
Elizângela Macena dos Santos, José
Rodrigo Costa Bueno e Miriam Nunes Ferreira.
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