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Março 2008 - Ano 87 - Nº 825

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Os eventos que marcaram os dez anos do Museu do Café em Santos representaram um misto de história e lançamento de desafios. De história, além dos feitos do museu, que já recebeu mais de 300 mil turistas, o reencontro de pessoas tornadas notáveis no universo cafeeiro nacional e mundial, como Alexandre Beltrão, ex-diretor executivo da OIC, Ruy Barreto, do grupo Barreto, Jair Coser, da Unicafé, Gilson Ximenes, do Conselho Nacional do Café, Luiz Hafers, da Sociedade Rural Brasileira, Américo Sato, da ABIC, entre outros, que passaram a integrar o Conselho de Administração do Museu ou o grupo de Conselheiros de notório saber.

A entidade, formada em 1998, sob a denominação de Associação dos Amigos do Museu do Café, ao assumir e cumprir a tarefa de revitalizar o Palácio da Bolsa (1922) e dar a Santos um de seus mais atrativos pontos de interesse cultural e turístico, entra em nova fase institucional, transformando-se em Organização Social. Nestes 10 anos de existência do Museu, os passos para a viabilização do Museu do Café foram longos, mas também rápidos. O mais novo é dado pela entrega efetiva do terceiro pavimento, em cumprimento ao Decreto no. 51.127, de 20 de setembro de 2006, o que elevará a área disponível ao Museu para o equivalente a 75% do imóvel.

O Presidente da Associação, Guilherme Braga Pires Filho, entende que essa alteração institucional é fundamental para assegurar condições que permitam ao Museu continuar a se desenvolver, pois “como organização social a Associação, de um lado, passa a se submeter a várias regras de controles financeiros típicas do poder público e, em contrapartida, se habilitará a receber verbas e incentivos governamentais para seus projetos, bem como poderá formalizar com o Governo o contrato de gestão do prédio e contratar com o Poder Público com dispensa de licitação. De outro, estará aperfeiçoando o seu sistema decisório uma vez que o Conselho de Administração, principal órgão de deliberação e de definição de diretrizes, além de membros associados passa a contar também com personalidades da comunidade, dos segmentos cafeeiros e do corpo funcional, pelo maior envolvimento dessas representações. Destaco que os Conselheiros eleitos e escolhidos são líderes da maior representatividade e verdadeiros expoentes nas suas áreas de atuação, capazes de conferir dimensão nacional ao Museu”.

Arnaldo Gobetti, Chefe de Gabinete do Secretário de Cultura João Sayad, a quem representou na cerimônia, elogiou a decisão tomada ressaltando que, atualmente, todos os Museus paulistas adotam a modalidade de organização social, modelo vitorioso. Informou que o processo de qualificação do Museu do Café como OS Organização Social já fora deferido e remetido ao Palácio dos Bandeirantes para aprovação do Governador José Serra. Lembrou que fez parte da comissão encarregada da restauração do Palácio da Bolsa Oficial do Café, e via com muito orgulho que o Museu do Café era uma realidade indiscutível e que o prédio apresentava uma conservação exemplar. Claudinelli Moreira Ramos, Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria de Cultura do Estado, cumprimentou a Associação e destacou a integração do Museu do Café ao trabalho de reformulação do relacionamento entre a Secretaria de Cultura e os Museus do Estado, que está empreendendo com os objetivos e aumento da eficácia das ações públicas e o aprimoramento do sistema museológico do Estado.

Com esse ‘portfolio’ nas mãos, a solenidade dos dez anos, em 12 de março, transbordou de envolvimentos emotivos e fraternais, tanto quanto de compromissos para o futuro. Destaque para as homenagens feitas à Associação Comercial de Santos, que sempre apoiou o Museu, e para Eduardo Carvalhaes Junior, seu idealizador e primeiro presidente, que teve o reconhecimento de seu trabalho e dedicação ao Museu de forma calorosa por todos os presentes.

A cafeteria do museu, que chega a servir até 500 xícaras por dia, ou mais, quando aportam navios de passageiros em Santos e vende cerca de oito sacas do produto em grão torrado por mês, logo após a posse do conselho, reuniu os convidados para inauguração de placas que certificam a qualidade do produto ali servido. Uma delas assegura o status Premium ao estabelecimento, que passou a integrar o Círculo do Café de Qualidade (CCQ), da Abic.

E o relógio da torre da bolsa, paralisado há mais de 20 anos, também voltou a funcionar, pelo apoio financeiro proporcionado pela ABIC e pelo Centro do Comércio do Café do Rio de Janeiro.
Os compromissos para o futuro listam a reativação do restaurante, que era explorado pelo Clube da Bolsa, local simbólico da cidade até os anos 1960, instalação de auditório para 70 pessoas, assinatura de convênio de cooperação técnica e cultural com a prefeitura de Santos, viabilização de livraria e loja de ‘souvenirs’, instalação da segunda etapa da exposição sobre a imigração japonesa e abertura de exposição fotográfica de Marcos Piffer, em agosto, sobre fazendas de café.

A reunião de diferentes segmentos do universo cafeeiro em torno do museu, segundo Ruy Barreto, “é um verdadeiro milagre, um monumento aos homens que se foram”, disse. O empresário revolveu o solo da história brasileira para lembrar que Portugal, por vasto período, considerou “esta colônia miserável e inviável, mas hoje o Brasil é um exemplo para o mundo e graças à produtividade da cafeicultura e dos setores novos, somos a décima economia do mundo; é um orgulho que todos nós devemos ter”, enfatizou. Na interpretação de Ruy Barreto, “o café criou uma nação e a confluência desses fatores está nesta casa, um ser vivo e dinâmico; nenhum outro prédio teria tal significado”.

Alexandre Beltrão, que comandou a Organização Internacional do Café (OIC) de 1968 a 1994, revelou ao jornalista que desde que voltou para o Brasil este era primeiro evento cafeeiro do qual participava. “Fiquei silencioso sobre café”, disse. “Isto (o museu) representa a correção da memória e da importância do café na história do Brasil”.

Formado em engenharia civil pela Politécnica de São Paulo, em 1948, Beltrão, nascido em Curitiba, logo voltou às raízes cafeeiras paranaenses e antes de servir à OIC, dirigiu o escritório do antigo IBC em Nova York. A experiência acumulada de Beltrão nos 26 anos de Londres é uma raridade. “O acordo vigorou em tempos de ‘guerra fria’, antepondo um mercado livre e um mercado controlado, quando vários países, inclusive o Brasil (Colômbia, Etiópia...)dependiam em mais de 50% do café em suas balanças comerciais”, lembra.

É com esse patrimônio que Alex Beltrão, como é mais conhecido, interpreta a existência do Museu de Café. Ele diz que a cultura cafeeira tem sido extremamente dinâmica. Depois do Rio de Janeiro, entrou em São Paulo. “Formou a base da economia de São Paulo e brasileira. Não haveria melhor local para homenagear o passado cafeeiro do que este. O prédio mostra o carinho dos paulistas com a preservação da memória”, acentua.

Gilson Ximenes Abreu, presidente do Conselho Nacional do Café e diretor da Unicop, região de Três Pontas (MG), afirma que “o museu presta um serviço à cafeicultura brasileira, pois oferece cafés de qualidade a turistas de todo o mundo; temos de prestigiar e elogiar esta ação, ainda mais por se tratar de Santos, pela sua história e atração turística; aqui se mostra outro Brasil até para os próprios brasileiros”, sustenta.


José Moreira entrega homenagem a
Eduardo Carvalhaes Jr
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Para o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), “a cidade está vivendo um momento feliz, ao resgatar o que Santos tem de melhor, o café, sua história e o porto. Estamos conseguindo criar novos elos com esses fatores em benefício da economia”, assegura. Uma semana antes deste evento, a prefeitura e a Codesp, administradora do porto de Santos, assinaram convênio para revitalização de área portuária, exatamente fronteiriça ao Palácio da Bolsa. Será convertida em espaços de lazer e comércio, integrando o centro histórico de Santos ao cais. “São dois ícones que dão a Santos um diferencial.

A bolsa é uma espécie de catedral da economia nacional, pelo seu significado histórico”, comemora. Papa também integra o grupo de conselheiros de notório saber da Associação dos Amigos do Museu de Café.

Luiz Marcos Suplicy Haffers, da Sociedade Rural Brasileira, foi eleito presidente do conselho de administração da Associação dos Amigos do Museu do Café, com mandato de dois anos. Para vice, Antonio Rubens da Costa Lara, diretor da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). Lara faleceu na mesma noite em que foi eleito.

São conselheiros associados da Associação dos Amigos do Museu do Café, em Santos:
Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), representada por Américo Sato; Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Sérgio Coimbra; Associação Comercial de Santos, Nilton Silva Pinto; Bolsa de Mercadorias e Futuros, Edemir Pinto; Centro do Comércio de Café do Rio de Janeiro, Guilherme Braga Neto; Centro do Comércio de Café de Vitória, Marcelo Silveira Netto; Conselho de Exportadores de Café do Brasil, João Antônio Lian; Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes Abreu; Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé, Carlos Alberto Paulino; Escritório Carvalhaes, Sérgio Ferreira Silva Carvalhaes; MC Coffee Brasil, Naoya Miyakawa; P & A Marketing, Carlos Henrique Jorge Brando; Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo, Nathan Herszkowicz; Sociedade Rural Brasileira, Luiz Marcos Suplicy Haffers; Unicafé, Jair Coser; Universidade Católica de Santos, Maria Helena Lambert.

Conselheiros de notório saber:
Alexandre Beltrão, André Freitas, Humberto Santa Cruz, Joachim Timm, João Paulo Tavares Papa, Linneu Carlos da Costa Lima, Lucas Tadeu Ferreira, Mário Alves Barbosa Neto, Rubens Lara, Ruy Barreto e Toru Iwasaki.
Conselheiros representantes do corpo funcional do museu:
Elizângela Macena dos Santos, José Rodrigo Costa Bueno e Miriam Nunes Ferreira.


 

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