Na
atualidade, a nutrição causa doenças
nos países ricos devido aos excessos, como
obesidade, doenças cardiovasculares, câncer,
diabetes, enquanto nos países pobres, a desnutrição
atinge proporções epidêmicas.
A saúde é o maior bem de cada ser vivo.
Uma boa alimentação e uma boa educação
são as fontes para a perfeita saúde
física e mental. Apenas o consumo adequado
de nutrientes é capaz de proporcionar energia
para as atividades diárias normais do adulto
e as necessidades de crescimento da criança.
Nos Estados Unidos, mais de 1/3 das crianças
apresenta obesidade devido à substituição
da alimentação natural por uma artificial.
O excesso de calorias leva à obesidade, um
problema dos países em desenvolvimento, onde
a alimentação natural foi quase que
inteiramente substituída por produtos industrializados
artificiais (“fast-food” e bebidas artificiais).
Especialistas concordaram durante um encontro da Organização
Mundial da Saúde (OMS) em estabelecer uma nova
definição para a definição
de mal nutrido, que inclui a obesidade, com objetivo
de fazer com que governos, pais e professores lutem
contra os problemas da má alimentação
de forma unida. Os especialistas sustentam que a obesidade
e a desnutrição são faces da
mesma moeda e lembram que, no mundo, 170 milhões
de crianças estão abaixo do peso, enquanto
300 milhões de adultos são obesos. A
falta de dieta adequada leva à fome e à
desnutrição.
Alimentos podem prevenir doenças sendo que,
na atualidade, as grandes indústrias de alimentos
dão uma atenção especial ao mercado
global de alimentos funcionais. Estima-se que no ano
de 2010 o mercado de alimentos funcionais vai representar
15% do comércio global de alimentos industrializados,
crescendo em valores dos atuais SETE BILHÕES
DE DÓLARES para valores acima de CENTO E SESSENTA
BILHÕES DE DÓLARES. A PROPRIEDADE FUNCIONAL
é aquela relativa ao papel metabólico
ou fisiológico que o nutriente tem no crescimento,
desenvolvimento, manutenção e outras
funções normais do organismo humano.
PROPRIEDADE DE SAÚDE é aquela que afirma,
sugere ou implica a existência da relação
entre o alimento ou ingrediente com doença
ou condição relacionada à saúde.
Diversas forças motivadoras em todo o mundo
têm fortalecido o interesse no uso da alimentação
como determinante importante da saúde e existe
um consenso da relação estreita entre
alimentação-saúde-doença.
Por isto, novos conceitos sobre as necessidades de
nutrientes em estados fisiológicos especiais,
efeitos benéficos de outros compostos não
nutrientes, fatores ligados à urbanização,
aumento da expectativa de vida, são fatores
que vêm estimulando a produção
de novos alimentos. Há muitos aspectos positivos
demonstrados por pesquisas científicas motivando
o uso correto da alimentação e a produção
de alimentos específicos na manutenção
da saúde.
O alimento ou ingrediente que alegar propriedades
funcionais ou de saúde pode, além de
funções nutricionais básicas,
quando se tratar de nutriente, produzir efeitos metabólicos
e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos
à saúde, devendo ser seguro para consumo
SEM supervisão médica. São
permitidas alegações de função
para nutrientes e não nutrientes, podendo ser
aceitas aquelas que descrevem o papel fisiológico
do nutriente ou não nutriente no crescimento,
desenvolvimento e funções normais do
organismo, mediante demonstração da
eficácia. Para os nutrientes com funções
plenamente reconhecidas pela comunidade científica
não será necessária a demonstração
de eficácia ou análise da mesma para
alegação funcional na rotulagem. No
caso de uma nova propriedade funcional, há
necessidade de comprovação científica
da alegação de propriedades funcionais
e ou de saúde e da segurança de uso.
Examinando o setor de alimentos e bebidas, aparece
um quadro que está cada vez mais povoado de
produtos alegando benefícios funcionais, desde
o chocolate até o vinho. Embora o acréscimo
de ingredientes funcionais tenha demonstrado crescimento
admirável na área dos alimentos embalados
e prevalece no mercado do chá, o café
ficou para trás, apesar de algumas ofertas
inovadoras para a bebida no mundo todo. Com tantas
doenças e tantos alimentos e bebidas para tratá-las,
os fabricantes de café podem escolher de uma
variedade de possíveis ofertas funcionais para
seus produtos. No topo da lista dos funcionais bem-sucedidos
estão aqueles destinados à saúde
digestiva. Bebidas de iogurte probiótico são
atualmente o segmento de alimentos embalados que mais
cresce no mundo, e os consumidores em grande número
de mercados ficaram cientes dos problemas da saúde
digestiva. Graças ao trabalho da indústria
de laticínios, o trabalho essencial já
foi feito e o café pode se preparar para fazer
a sua parte pela saúde digestiva.
Os fabricantes de café no exterior já
estão tratando do assunto. A presença
do Blendy Instant Oligosaccharide Coffee, disponível
no Japão mostra a presença de um “café
prebiótico”. Oligossacarídeos
são carboidratos com diversas unidades de açúcar
que se ligam entre elas (essas unidades individuais
são os monossacarídeos). A inulina é
um oligossacarídeo usado cada vez mais como
ingrediente funcional em diversos produtos alimentícios
e bebidas. Oligossacarídeos, como a inulina,
são também mencionados com freqüência
como “prebióticos”. Esses compostos
servem como fonte de alimentos para as bactérias
“boas” nos intestinos. Laticínios
probióticos podem ser tomados no café
ou melhor ainda, podem ser consumidos ao mesmo tempo.
Assim, as coisas boas do iogurte são alimentadas
pelas coisas boas do café.
Produtos para a saúde do coração
estão por toda parte, desde suco de romãs,
com elevado teor de antioxidantes, até iogurte
com redutores dos níveis de colesterol a pães
enriquecidos com ômega-3. Tradicionalmente,
o café tem recebido publicidade desfavorável
como um produto que aumenta a pressão arterial,
e que deve ser evitado por aqueles que sofrem de doenças
cardíacas, mas sua má fama está
para se dissipar no espaço. Polifenóis
são uma classe de produtos químicos
oriundos de plantas que têm sido associados
com doenças cardíacas e prevenção
do câncer bem como lhe são atribuídas
propriedades antioxidantes. E o café é
muito rico em polifenóis, os ácidos
clorogênicos ( 7-10%). A iniciativa para promover
este benefício específico do café
está concentrada na Ásia, onde a pronta
aceitação das bebidas funcionais significa
que as alegações dos fabricantes encontraram
um público receptivo. Um café solúvel
feito de Coffea robusta é encontrado nas Filipinas
que alega ter três vezes mais antioxidantes
do que o chá verde e o café instantâneo
normal.
Inovações são bem aceitas na
Ásia, mas será que os países
que bebem o café tradicional poderão
reagir positivamente a esta idéia? Itália,
Alemanha e França poderiam se tornar mercados
para pagar mais por cafés com altos índices
de antioxidantes e que poderiam beneficiar a saúde
do coração. Mas o café contém
mais substâncias bioativas que podem ajudar
a prevenir a diabetes do adulto, a depressão,
o consumo de álcool e diversos tipos de câncer.
Até onde seria possível chegar?
No exterior existe também café com misturas,
como Gingko biloba, Ginseng e chá branco, que
cai no nicho de funcionalidade alegando um melhor
desempenho cognitivo e saúde mental. O café
sempre teve conotações positivas em
termos de aumentar o desempenho mental, a concentração
e a atenção, tornando-o um competidor
natural para acompanhar essa tendência. De fato,
as microcápsulas e a nanotecnologia tornaram
possível a adição de Omega 3
em bebidas – assim sendo, por que não
no café? O Omega 3 é atualmente reconhecido
por muitos como oferecendo benefícios potenciais
à função cerebral e essa imagem
deve ser considerada pelos fabricantes que examinam
o mercado de café funcional.
O alívio do estresse e da depressão
é uma das tendências impulsionadoras
no mercado de saúde e bem-estar na atualidade.
A sociedade moderna está causando um enorme
volume de estresse resultando no aumento de doenças
relacionadas ao estresse. O café funcional
poderia ajudar a tratar dessa questão. Os fabricantes
já estão promovendo os benefícios
do café descafeinado mas rico em antioxidantes.
Mas a complexidade química do café funcional
ainda é de conhecimento de poucos, sendo o
Brasil o líder nestas pesquisas. Mas o café
tem agido como o primo pobre em termos de bebidas
funcionais, em comparação com o chá.
No entanto, há oportunidades a serem exploradas,
e elas possivelmente serão diferentes para
diferentes ofertas funcionais. Claramente, no entanto,
o aumento nas vendas do café em países
que tradicionalmente bebem chá (comumente acostumadas
à idéia de bebidas funcionais) sugere
que o café funcional tem futuro. E no rentável,
competitivo e sempre crescente mercado de alimentos
saudáveis, alguns vão liderar, outros
vão seguir e outros vão ficar para trás,
por falta de visão e competitividade no multimilionário
mercado de prevenção de doenças
e cuidados com a saúde humana.
Ref.:
Santos, R.M. & Lima, D.R.: Coffee, The Revolutionary
Drink for Pleasure and Health, XLivris, 2007, USA.
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