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Março 2008 - Ano 87 - Nº 825

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Na atualidade, a nutrição causa doenças nos países ricos devido aos excessos, como obesidade, doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, enquanto nos países pobres, a desnutrição atinge proporções epidêmicas. A saúde é o maior bem de cada ser vivo. Uma boa alimentação e uma boa educação são as fontes para a perfeita saúde física e mental. Apenas o consumo adequado de nutrientes é capaz de proporcionar energia para as atividades diárias normais do adulto e as necessidades de crescimento da criança. Nos Estados Unidos, mais de 1/3 das crianças apresenta obesidade devido à substituição da alimentação natural por uma artificial. O excesso de calorias leva à obesidade, um problema dos países em desenvolvimento, onde a alimentação natural foi quase que inteiramente substituída por produtos industrializados artificiais (“fast-food” e bebidas artificiais).

Especialistas concordaram durante um encontro da Organização Mundial da Saúde (OMS) em estabelecer uma nova definição para a definição de mal nutrido, que inclui a obesidade, com objetivo de fazer com que governos, pais e professores lutem contra os problemas da má alimentação de forma unida. Os especialistas sustentam que a obesidade e a desnutrição são faces da mesma moeda e lembram que, no mundo, 170 milhões de crianças estão abaixo do peso, enquanto 300 milhões de adultos são obesos. A falta de dieta adequada leva à fome e à desnutrição.

Alimentos podem prevenir doenças sendo que, na atualidade, as grandes indústrias de alimentos dão uma atenção especial ao mercado global de alimentos funcionais. Estima-se que no ano de 2010 o mercado de alimentos funcionais vai representar 15% do comércio global de alimentos industrializados, crescendo em valores dos atuais SETE BILHÕES DE DÓLARES para valores acima de CENTO E SESSENTA BILHÕES DE DÓLARES. A PROPRIEDADE FUNCIONAL é aquela relativa ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo humano.  PROPRIEDADE DE SAÚDE é aquela que afirma, sugere ou implica a existência da relação entre o alimento ou ingrediente com doença ou condição relacionada à saúde. 

Diversas forças motivadoras em todo o mundo têm fortalecido o interesse no uso da alimentação como determinante importante da saúde e existe um consenso da relação estreita entre alimentação-saúde-doença. Por isto, novos conceitos sobre as necessidades de nutrientes em estados fisiológicos especiais, efeitos benéficos de outros compostos não nutrientes, fatores ligados à urbanização, aumento da expectativa de vida, são fatores que vêm estimulando a produção de novos alimentos. Há muitos aspectos positivos demonstrados por pesquisas científicas motivando o uso correto da alimentação e a produção de alimentos específicos na manutenção da saúde.

O alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde pode, além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, produzir efeitos metabólicos e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo SEM supervisão médica. São permitidas alegações de função para nutrientes e não nutrientes, podendo ser aceitas aquelas que descrevem o papel fisiológico do nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento e funções normais do organismo, mediante demonstração da eficácia. Para os nutrientes com funções plenamente reconhecidas pela comunidade científica não será necessária a demonstração de eficácia ou análise da mesma para alegação funcional na rotulagem. No caso de uma nova propriedade funcional, há necessidade de comprovação científica da alegação de propriedades funcionais e ou de saúde e da segurança de uso.

Examinando o setor de alimentos e bebidas, aparece um quadro que está cada vez mais povoado de produtos alegando benefícios funcionais, desde o chocolate até o vinho. Embora o acréscimo de ingredientes funcionais tenha demonstrado crescimento admirável na área dos alimentos embalados e prevalece no mercado do chá, o café ficou para trás, apesar de algumas ofertas inovadoras para a bebida no mundo todo. Com tantas doenças e tantos alimentos e bebidas para tratá-las, os fabricantes de café podem escolher de uma variedade de possíveis ofertas funcionais para seus produtos. No topo da lista dos funcionais bem-sucedidos estão aqueles destinados à saúde digestiva. Bebidas de iogurte probiótico são atualmente o segmento de alimentos embalados que mais cresce no mundo, e os consumidores em grande número de mercados ficaram cientes dos problemas da saúde digestiva. Graças ao trabalho da indústria de laticínios, o trabalho essencial já foi feito e o café pode se preparar para fazer a sua parte pela saúde digestiva.

Os fabricantes de café no exterior já estão tratando do assunto. A presença do Blendy Instant Oligosaccharide Coffee, disponível no Japão mostra a presença de um “café prebiótico”. Oligossacarídeos são carboidratos com diversas unidades de açúcar que se ligam entre elas (essas unidades individuais são os monossacarídeos). A inulina é um oligossacarídeo usado cada vez mais como ingrediente funcional em diversos produtos alimentícios e bebidas. Oligossacarídeos, como a inulina, são também mencionados com freqüência como “prebióticos”. Esses compostos servem como fonte de alimentos para as bactérias “boas” nos intestinos. Laticínios probióticos podem ser tomados no café ou melhor ainda, podem ser consumidos ao mesmo tempo. Assim, as coisas boas do iogurte são alimentadas pelas coisas boas do café.

Produtos para a saúde do coração estão por toda parte, desde suco de romãs, com elevado teor de antioxidantes, até iogurte com redutores dos níveis de colesterol a pães enriquecidos com ômega-3. Tradicionalmente, o café tem recebido publicidade desfavorável como um produto que aumenta a pressão arterial, e que deve ser evitado por aqueles que sofrem de doenças cardíacas, mas sua má fama está para se dissipar no espaço. Polifenóis são uma classe de produtos químicos oriundos de plantas que têm sido associados com doenças cardíacas e prevenção do câncer bem como lhe são atribuídas propriedades antioxidantes. E o café é muito rico em polifenóis, os ácidos clorogênicos ( 7-10%). A iniciativa para promover este benefício específico do café está concentrada na Ásia, onde a pronta aceitação das bebidas funcionais significa que as alegações dos fabricantes encontraram um público receptivo. Um café solúvel feito de Coffea robusta é encontrado nas Filipinas que alega ter três vezes mais antioxidantes do que o chá verde e o café instantâneo normal.

Inovações são bem aceitas na Ásia, mas será que os países que bebem o café tradicional poderão reagir positivamente a esta idéia? Itália, Alemanha e França poderiam se tornar mercados para pagar mais por cafés com altos índices de antioxidantes e que poderiam beneficiar a saúde do coração. Mas o café contém mais substâncias bioativas que podem ajudar a prevenir a diabetes do adulto, a depressão, o consumo de álcool e diversos tipos de câncer. Até onde seria possível chegar?

No exterior existe também café com misturas, como Gingko biloba, Ginseng e chá branco, que cai no nicho de funcionalidade alegando um melhor desempenho cognitivo e saúde mental. O café sempre teve conotações positivas em termos de aumentar o desempenho mental, a concentração e a atenção, tornando-o um competidor natural para acompanhar essa tendência. De fato, as microcápsulas e a nanotecnologia tornaram possível a adição de Omega 3 em bebidas – assim sendo, por que não no café? O Omega 3 é atualmente reconhecido por muitos como oferecendo benefícios potenciais à função cerebral e essa imagem deve ser considerada pelos fabricantes que examinam o mercado de café funcional.

O alívio do estresse e da depressão é uma das tendências impulsionadoras no mercado de saúde e bem-estar na atualidade. A sociedade moderna está causando um enorme volume de estresse resultando no aumento de doenças relacionadas ao estresse. O café funcional poderia ajudar a tratar dessa questão. Os fabricantes já estão promovendo os benefícios do café descafeinado mas rico em antioxidantes. Mas a complexidade química do café funcional ainda é de conhecimento de poucos, sendo o Brasil o líder nestas pesquisas. Mas o café tem agido como o primo pobre em termos de bebidas funcionais, em comparação com o chá. No entanto, há oportunidades a serem exploradas, e elas possivelmente serão diferentes para diferentes ofertas funcionais. Claramente, no entanto, o aumento nas vendas do café em países que tradicionalmente bebem chá (comumente acostumadas à idéia de bebidas funcionais) sugere que o café funcional tem futuro. E no rentável, competitivo e sempre crescente mercado de alimentos saudáveis, alguns vão liderar, outros vão seguir e outros vão ficar para trás, por falta de visão e competitividade no multimilionário mercado de prevenção de doenças e cuidados com a saúde humana.

Ref.: Santos, R.M. & Lima, D.R.: Coffee, The Revolutionary Drink for Pleasure and Health, XLivris, 2007, USA.

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