Home
Porto do Rio Consolida Retomada das Exportações de Café
Multiterminais Amplia Estrutura Operacional
Março 2008 - Ano 87 - Nº 825

AVANÇAR
12
VOLTAR
 

A poucos quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, uma antiga fazenda de café tem sido palco de atividades educativas sobre o passado cafeeiro fluminense. Em uma sala que outrora servia de senzala, Roberto, na pele de um barão do café, conta com humor, para a criançada que chega dos inúmeros estabelecimentos escolares, a história da fazenda, como viviam seus ilustres moradores e o trabalho dos escravos.

Numa sala ao lado, uma biblioteca com livros raros está disponível para os estudantes, mas é com freqüência no gramado, onde ficava o enorme terreiro de secar café, que a meninada se diverte até a hora do almoço, anunciado pelo toque do sino e servido numa pequena sala do antigo engenho de beneficiar o grão.

Contíguos a esta sala, estão os outros compartimentos do engenho, com todas as engrenagens que eram movimentadas pela roda d’água. Os estudantes podem ainda ler, tocar piano ou violão, ou simplesmente ouvir boa música.

Risonhos e com a cabeça cheia de conhecimentos, contados e passados no ambiente mesmo em que se desenrolou a história, os meninos partem para suas casas. Mas como surgiu a fazenda Ponte Alta? Um mapa da antiga fazenda de Santa Cruz, que pertencera aos padres, mostra que suas terras começavam na Zona Oeste do Rio de Janeiro e avançavam serra acima, incluindo Piraí e Vassouras. Seriam mais tarde seqüestradas pelo governo imperial, e muitas sesmarias foram distribuídas.

Neste mapa, consta que as terras da fazenda Ponte Alta pertenciam ao barão de Mambucaba, mas, depois, tem-se um verdadeiro hiato na história da propriedade, por não se encontrar documentação sobre como foi adquirida pelo barão da Guanabara, José Gonçalves de Oliveira Roxo. Uma hipótese é que tenham sido compradas pelo barão de Vargem Alegre, Mathias Gonçalves de Oliveira Roxo, e, posteriormente, doadas a seu filho, o barão da Guanabara, quando este se casou, como era de costume.

Certo é que, após a morte de José, a senhora baronesa da Guanabara vende, em 1876, a fazenda para o sogro, o barão de Vargem Alegre. Desta escritura, pode-se concluir que a fazenda possuía casa de sobrado para vivenda, senzala, 306 escravos, enfermaria para os cativos, engenhos diversos, casas para tropas, cinqüenta bestas de tropa e trabalho, vinte lavadores de café, cafezais, sem citar o número, terreiros de secar café e outras edificações comuns a uma fazenda de grande porte.

Pouco tempo a propriedade ficou com o barão da Vargem Alegre, pois este veio a falecer em 16 de setembro de 1879 e legou, em testamento, a fazenda a seu filho Raymundo Breves de Oliveira Roxo, que, em seguida, vendeu-a para seu irmão, o barão de Oliveira Roxo, Mathias Gonçalves de Oliveira Roxo. Foi hipotecada por Mathias em 26 de maio de 1890. Neste momento, temos outra lacuna na história, pois não sabemos como a fazenda foi adquirida pelo coronel Arthur Ferreira Torres que a vende, em 29 de outubro de 1900, para o comendador João Leopoldo Modesto Leal. O século XIX chegava ao fim, mas a fazenda Ponte Alta ainda mostrava sua grandiosidade, com seus 225 alqueires de terras e quinhentos mil pés de café de todas as idades.

Hoje, a fazenda pertence à família Pascoli, que arrendou as áreas de senzala e engenho para Roberto Freitas. A propriedade recebe estudantes dos ensinos fundamental e médio e, eventualmente, hóspedes, desempenhando um papel importante na difusão do conhecimento sobre a nossa história.

REVISTA DO CAFÉ - INÍCIO
 
Rua da Quitanda, 191 - 8º andar - Centro - Rio de Janeiro - Brasil - Tel: (21) 2516-3399 / Fax: (21) 2253-4873 - email: riocafe@cccrj.com.br
Todos os direitos reservados - copyright 2006 - Centro de Comércio do Café do Rio de Janeiro - Desenvolvido por Ivan F. Cesar