A
poucos quilômetros da cidade do Rio de Janeiro,
uma antiga fazenda de café tem sido palco de
atividades educativas sobre o passado cafeeiro fluminense.
Em uma sala que outrora servia de senzala, Roberto,
na pele de um barão do café, conta com
humor, para a criançada que chega dos inúmeros
estabelecimentos escolares, a história da fazenda,
como viviam seus ilustres moradores e o trabalho dos
escravos.
Numa sala ao lado, uma biblioteca com livros raros
está disponível para os estudantes,
mas é com freqüência no gramado,
onde ficava o enorme terreiro de secar café,
que a meninada se diverte até a hora do almoço,
anunciado pelo toque do sino e servido numa pequena
sala do antigo engenho de beneficiar o grão.
Contíguos a esta sala, estão os outros
compartimentos do engenho, com todas as engrenagens
que eram movimentadas pela roda d’água.
Os estudantes podem ainda ler, tocar piano ou violão,
ou simplesmente ouvir boa música.
| Risonhos
e com a cabeça cheia de conhecimentos,
contados e passados no ambiente mesmo em que se
desenrolou a história, os meninos partem
para suas casas. Mas como surgiu a fazenda Ponte
Alta? Um mapa da antiga fazenda de Santa Cruz,
que pertencera aos padres, mostra que suas terras
começavam na Zona Oeste do Rio de Janeiro
e avançavam serra acima, incluindo Piraí
e Vassouras. Seriam mais tarde seqüestradas
pelo governo imperial, e muitas sesmarias foram
distribuídas. |
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Neste mapa, consta que as terras da fazenda Ponte
Alta pertenciam ao barão de Mambucaba, mas,
depois, tem-se um verdadeiro hiato na história
da propriedade, por não se encontrar documentação
sobre como foi adquirida pelo barão da Guanabara,
José Gonçalves de Oliveira Roxo. Uma
hipótese é que tenham sido compradas
pelo barão de Vargem Alegre, Mathias Gonçalves
de Oliveira Roxo, e, posteriormente, doadas a seu
filho, o barão da Guanabara, quando este se
casou, como era de costume.
Certo é que, após a morte de José,
a senhora baronesa da Guanabara vende, em 1876, a
fazenda para o sogro, o barão de Vargem Alegre.
Desta escritura, pode-se concluir que a fazenda possuía
casa de sobrado para vivenda, senzala, 306 escravos,
enfermaria para os cativos, engenhos diversos, casas
para tropas, cinqüenta bestas de tropa e trabalho,
vinte lavadores de café, cafezais, sem citar
o número, terreiros de secar café e
outras edificações comuns a uma fazenda
de grande porte.
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Pouco
tempo a propriedade ficou com o barão da
Vargem Alegre, pois este veio a falecer em 16
de setembro de 1879 e legou, em testamento, a
fazenda a seu filho Raymundo Breves de Oliveira
Roxo, que, em seguida, vendeu-a para seu irmão,
o barão de Oliveira Roxo, Mathias Gonçalves
de Oliveira Roxo. Foi hipotecada por Mathias em
26 de maio de 1890. Neste momento, temos outra
lacuna na história, pois não sabemos
como a fazenda foi adquirida pelo coronel Arthur
Ferreira Torres que a vende, em 29 de outubro
de 1900, para o comendador João Leopoldo
Modesto Leal. O século XIX chegava ao fim,
mas a fazenda Ponte Alta ainda mostrava sua grandiosidade,
com seus 225 alqueires de terras e quinhentos
mil pés de café de todas as idades. |
Hoje, a fazenda pertence à família Pascoli,
que arrendou as áreas de senzala e engenho
para Roberto Freitas. A propriedade recebe estudantes
dos ensinos fundamental e médio e, eventualmente,
hóspedes, desempenhando um papel importante
na difusão do conhecimento sobre a nossa história.
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